Washington - Lutando para sobreviver, os principais executivos da General Motors e da Chrysler defenderam, em depoimento no Senado, a decisão de fechar concessionárias nos Estados Unidos. Eles classificaram o movimento de inevitável e necessário, a despeito dos prejuízos que causava a consumidores e revendedores leais.
O presidente da GM, Fritz Henderson, e o da Chrysler, James Press, disseram ao Comitê de Comércio do Senado que há concessionárias demais e que as redes datam dos anos 40 e 50, quando motoristas viviam em locais distantes e as montadoras de Detroit dominavam as vendas mundiais de veículos. Mas depois de perder consumidores e mercados para competidores estrangeiros, eles disseram que as empresas precisam reduzir suas operações, para se tornarem mais leves e rentáveis durante o processo de concordata.
“Reinventar a GM, uma mudança real, requer a divisão de sacrifícios. Não temos escolha. São tempos difíceis para todos da família GM. E, como parte dela, nossas concessionárias também estão sendo solicitadas a carregar parte desse sacrifício para construir uma GM mais forte e viável”, disse Henderson.
Já Press destacou que não há vendas suficientes hoje para justificar o número de revendedores, já que o volume de vendas da montadora atualmente é menos de dois terços do que já foi. Ele afirmou aos parlamentares que uma rápida reviravolta em sua rede de concessionárias era essencial para o sucesso de sua aliança com a italiana Fiat.
Pequenos revendedores locais também foram convidados a participar do encontro no Senado. Russell Whatley, um revendedor da Chrysler-Dodge-Jeep, disse seu avô abriu a loja em 1919. “Um investimento de 90 anos está simplesmente acabando. E nem minha família nem meus empregados têm nada a dizer sobre isso.”
“Cumpri todas as obrigações financeiras impostas pela Chrysler e pela GM e agora dizem que querem fechar” afirmou Peter Lopez, revendedor da GM e da Chrysler. “Sou um contribuinte e elas (as montadoras) estão recebendo dólares dos contribuintes.”
Legisladores consideram que o fechamento das concessionárias de automóveis levará à demissões de milhares de trabalhadores, embora represente uma economia pequena para GM e Chrysler, que receberam bilhões de dólares em ajuda federal.
A Chrysler informou que pretende fechar 789 revendedores na próxima semana. Já a General Motors disse a 1.100 revendedores que não pretende renovar os contratos de franquia até 2010 e pretende dispensar outros 900 revendedores com a venda ou descontinuidade das marcas Hummer, Pontiac, Saab e Saturn.
A GM e a Chrysler disseram que a redução do número de concessionárias são uma parte dolorosa da reestruturação, que exigiu concessões ainda dos trabalhadores sindicalizados e dos credores.
Mas os revendedores querem que a administração Obama dê um prazo maior para o fechamento das lojas e ofereça financiamento adicional para ajudar a reestruturar seus negócios.
O pedido cria um conflito potencial para a Casa Branca, que disse que não vai participar da administração das operações diárias das montadoras. O governo americano terá participação de 60% na GM e de 10% na Chrysler.
GM Brasil - No Brasil, em reunião realizada quarta-feira com executivos de recursos humanos da GM, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Vivaldo Moreira Araújo, pediu a concessão de estabilidade no emprego para os cerca de 9.500 empregados da montadora na cidade.
Referindo-se à declaração feita na véspera pelo presidente da GM no Brasil, Jaime Ardila, de que nenhum funcionário seria demitido por causa do pedido de concordata da matriz nos EUA, Araújo disse que não poderia confiar em palavras ditas à imprensa. “Queremos um acordo que garanta estabilidade.”