São Paulo - O menor carro comercializado no Brasil não passou despercebido. Quando lançou o smart no Brasil, em abril, a Mercedes-Benz planejava vender 500 unidades do seu ultracompacto em 2009. Afinal, o lançamento foi uma espécie de teste em um mercado em que a maior parte dos consumidores nunca havia dirigido um veículo tão pequeno. Mas o objetivo anual esgotou-se em quatro meses. Por isso, foi estabelecida uma nova meta, de mil unidades para 2009.
Não é apenas isso que mudou na estratégia de estreia do smart no Brasil. O modelo começou a ser vendido em apenas uma concessionária. Mas a cada dia que passa mais clientes se deslocam de outras cidades e estados até a única revenda da marca, localizada na elegante Avenida Europa, região nobre de um bairro paulistano onde se enfileiram algumas das marcas de automóveis mais luxuosas do mundo.

Fortwo (Foto: Ulisses Cavalcante)
Diante disso, a empresa decidiu antecipar os planos de ampliação da rede de concessionárias. Uma outra loja já foi aberta em São Paulo e, nos próximos dias, serão inauguradas revendas em Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A diretoria da Mercedes tem sido procurada por empresários interessados em representar a marca smart em outras regiões. “Mas queremos ir devagar”, destaca o vice-presidente de vendas da Mercedes-Benz, Phillip Schiemer.
Apesar de cautelosa, a estratégia de expansão da nova marca já começa a ultrapassar a fronteira. A filial brasileira da Mercedes também se prepara para começar a vender o veículo em outros países da América do Sul. A venda na Argentina já está praticamente fechada, segundo Schiemer. Os próximos mercados devem ser Chile e Colômbia.
A Mercedes não tem ainda claro o perfil do consumidor que se encanta com um veículo que tem 2,69 metros de comprimento e 1,56 m de largura a preços entre R$ 57,9 mil a R$ 64,9 mil. Com bem menos da metade dessas quantias é possível comprar sedãs nacionais mais simples, como o Prisma, da GM, ou o Siena, da Fiat, tipo de automóvel que, vale lembrar, mede 4,11 metros.

Schiemer explica que o smart tem sido entregue a um público cuja faixa etária varia dos 18 aos 80 anos. Para o executivo, este é o tipo de carro para quem não tem meio termo. “É um veículo do qual se gosta ou não gosta; se está convencido ou não está”, diz.
Fabricado na França, o smart vendido no Brasil é o modelo chamado de fortwo (para dois ocupantes) e está disponível nas versões cupé e conversível. O tempo entre o pedido e a entrega leva em torno de 30 dias. Outra surpresa para a diretoria da Mercedes foi perceber que a versão conversível tem sido responsável por 60% das vendas. Afinal, trata-se do conversível mais barato do país.
CINQUECENTO - Diante da boa aceitação do modelo, a Mercedes decidiu lançar uma nova estratégia de marketing para vender a marca smart. O sonho da empresa é que o nome do modelo acabe virando sinônimo de carro urbano. Algo parecido com o que a Apple conseguiu com o iPod.
Nessa linha de planejamento, este mês o smart foi colocado em um galpão na rua Oscar Freire, região de lojas de roupas chiques de São Paulo. A empresa aproveitou a ocasião para exibir a próxima versão do modelo, um esportivo que leva o nome Brabus. A marca Mercedes não apareceu ao lado do smart.
A boa aceitação do smart, também na Europa, onde já foi apresentada uma versão com motor elétrico, contrasta com o que o grupo Daimler - dono das marcas smart e Mercedes - viveu cinco anos atrás, quando, por falta de rentabilidade, chegou a anunciar o encerramento das operações smart.
Agora, porém, o carro virou moda até no Brasil. Mas a Mercedes não está sozinha. No fim do mês, a Fiat começará a vender no Brasil o seu Cinquecento. O compacto de luxo que vem da Itália e mede 3,55 metros deverá ser vendido na mesma faixa de preços do smart.
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