Rio - Não haveria como impressionar mais os americanos: lançar um lindo Chevrolet Bel Air 1959 em rota de colisão frontal contra um Chevrolet Malibu 2009, a 64km/h. Como constatou o Insurance Institute for Highway Safety, dos Estados Unidos, o resultado não foi bonito.

O choque de quina, com os dois Chevrolet a 64km/h: prova prática mostrou o quanto a segurança passiva dos carros foi aperfeiçoada desde 1959 (Fotos: Divulgação)
No Bel Air, o para-brisa decolou, a porta do motorista se abriu e metade da frente sofreu sérios danos. O dummy (boneco que simula o motorista) alçou voo como um Peter Pan. “O Bel Air ficou destruído e a área em torno do assento do motorista ficou completamente arruinada”,- disse David Zuby, vice-presidente do centro de pesquisas automotivas do instituto.
O teste marcou o 50º aniversário do IIHS, uma entidade fundada pelo setor de seguros dos EUA. A ideia era mostrar o quanto a segurança progrediu em cinco décadas.
A maioria das pessoas pensa que as grandes carrocerias de aço e as robustas cabines dos carros antigos significam mais segurança. Quem anda em um automóvel desses está acostumado aos nostálgicos que batem com os nós dos dedos nos para-lamas e fazem o comentário: “Isso sim é que era lataria. Bate num carro novo para ver o que acontece!”.

No clássico, desastre total: a coluna de direção avançou contra o peito do boneco, que voou, bateu a cabeça no volante e no teto, e morreu
Pois o teste de impacto do IIHS mostrou na prática o que acontece - provando exatamente o contrário da crença popular. A sofisticada engenharia de hoje permite criar estruturas que se deformam de maneira programada, evitando que a força da pancada seja inteiramente transmitida aos ocupantes do carro.
Além disso, existe aço de alta resistência concentrado onde é realmente necessário - formando uma célula de segurança. Há também itens como barras protetoras por dentro das portas.Tudo isso dá aos veículos novos uma enorme vantagem.
Houve mais evoluções importantes desde 1959. Os automóveis ganharam colunas de direção deformáveis (que não esmagam o peito do motorista em caso de batida), volantes acolchoados, bancos com encosto de cabeça, cintos de segurança e airbags.
“O Bel Air não tinha cintos de segurança ou airbags, e a cabeça do dummy bateu no volante. Depois, o teto e o painel de instrumentos (que não tem espuma em seu interior) praticamente esmagaram o boneco “, explicou David Zuby.

A coluna de direção do modelo 2009 não feriu o dummy, bem preso pelo cinto e pelo banco. Só houve danos à perna esquerda
No efeito chicote, a cabeça do dummy chegou a raspar no teto do velho Chevrolet. Com o deslocamento do para-brisa e a abertura da porta, houve risco de ejeção do “motorista”. Além disso, parte do banco dianteiro se desprendeu do assoalho.
O IIHS já fez testes de impacto com centenas de veículos e, segundo David Zuby, nenhum mostrou resultados tão ruins quanto o do velho Bel Air. Os principais quesitos avaliados são danos na estrutura do veículo e o grau de “ferimentos” na cabeça, no peito e nas pernas dos bonecos. O Bel Air obteve a pior classificação em todas as categorias, enquanto o Malibu foi considerado bom em todas, exceto nas proteções à perna e ao pé esquerdos.
E o que tudo isso significa para os proprietários de Bel Air feitos em 1959? Zuby diz que dirigir num evento de veículos antigos é seguro, pois as velocidades são baixas: “Mas eu não recomendaria aos motoristas usar um carro como este no dia a dia.”
Assista ao vídeo:
Leia mais:
Por falta de hábito ou desconforto, cintos traseiros são ignorados