Rio - Mal começamos 2010 e a indústria automotiva já divulgou uma série de recalls de veículos, como da Toyota e da Honda no mundo e da Volks no Brasil . O momento coincide com o recorde de 39 convocações no Brasil em 2009, o maior número registrado desde o início da série histórica, em 1998.
Especialistas apontam que fatores como a expansão da produção de veículos, a quantidade cada vez maior de itens de tecnologia e o menor prazo entre o projeto de um veículo e seu lançamento contribuem para que se registrem mais recalls de veículos. Ainda que, na história da indústria automotiva, já tenham sido registradas convocações grandes, como a da General Motors de 1971, de 6,7 milhões de veículos.

Maior produção de carros, tecnologia e menor prazo de lançamentos levam a mais recalls
“Quanto mais se aumenta a produção e a tecnologia, maior é a possibilidade de aparecerem problemas nos veículos. No Brasil, a produção saltou de 1,7 milhão de unidades em 2000 para 3,2 milhões agora. Além disso, hoje existem muito mais itens elétricos”, afirma o diretor da consultoria ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, destacando, no entanto, que os recalls não são uma exclusividade da indústria automotiva. “Isso também acontece com geladeiras, telefones, brinquedos e até avião”.
Ele explica que os veículos passam por extensos testes antes de serem lançados, mas a necessidade dos recalls ocorre principalmente no uso do carro em condições extremas. Segundo dados do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, órgão responsável pela fiscalização de recalls no Brasil, foram feitas 39 convocações para veículos no ano passado. Na série histórica, é o maior número já registrado. O segundo lugar fica com o ano de 2002, quando houve 32 recalls.
Ao todo, quase 460 mil veículos estiveram envolvidos em 2009. O ano de 2000 foi o que registrou o maior número de veículos -1,427 milhão -, mas o resultado daquele foi influenciado principalmente por uma única convocação da GM para o Corsa e o Tigra que envolveu 1,052 milhão de unidades. Em 2010, já são cinco convocações.
Para Vitor Meizikas Filho, da consultoria Molicar, outro fator que contribui para a convocação de recalls é o investimento cada vez maior em desenvolvimento e tecnologia, em função da forte concorrência entre as montadoras. “O mercado automotivo está muito dinâmico e em um ano um modelo está superado. Se anos atrás o tempo entre o projeto de um carro e seu lançamento no mercado levava oito anos, hoje isso caiu pela metade”, diz.
Meizikas ressalta que são feitos testes exaustivos durante a criação do veículos, mas que recalls acabando fazendo parte do processo de desenvolvimento. “Estes não serão os últimos, outros recalls poderão ocorrer”, aponta.
BAIXA QUALIDADE ? - Segundo o diretor de fiscalização do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, a grande quantidade de recalls não significa necessariamente que há problemas de qualidade na indústria automotiva. “Isso pode ser mais transparência e cuidado. O conceito do recall é de prevenção. Mesmo com todos os testes, há problemas que não podem ser previstos. O importante é que a questão se torne pública e o recall seja feito rapidamente e com ampla comunicação”, afirma.
É preciso ficar atento, no entanto, diz Goés, se o mesmo automóvel é objeto de mais uma campanha.
DIREITOS DO CONSUMIDOR - A substituição ou reparo dos itens incluídos no recall deve ser feita sem qualquer custo para o consumidor e sem limite de prazo, ou seja, a responsabilidade do fabricante se mantém enquanto o veículo estiver no mercado. E ainda que a montadora tenha seguido as exigências legais para um recall, o consumidor tem o direito a indenização caso ocorra um problema por causa do defeito no veículo.
“O fato de ocorrer uma campanha não exime a responsabilidade de uma indenização”, aponta o diretor do Procon-SP.
Procurada pela reportagem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que não se pronuncia sobre recalls.
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