O consumidor brasileiro que comprou um carro financiado este ano vai levar, em média, três anos e sete meses para quitar o parcelamento, informa a Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef). É o prazo mais longo registrado nos últimos seis anos. Além disso, mais pessoas têm optado por financiamentos na hora de adquirir um veículo. Hoje, 40% dos consumidores escolhem parcelar a dívida, no lugar de pagar à vista.
Em parte, isso se deve à queda dos juros. Em março de 2009, a taxa média cobrada nos financiamentos de veículos era de 2,19% ao mês, segundo a Anef. Já em março de 2010, o juro mensal havia baixado para 1,78%. “Além disso, os bancos incentivaram a aquisição de veículos a prazo, porque esse financiamento apresenta baixo risco, já que a garantia do crédito é o automóvel”, diz Samy Dana, professor de finanças da Faap.
Mas os principais fatores responsáveis por tal cenário foram mesmo a ascensão de um grande número de consumidores à classe C e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos - que vigorou entre dezembro de 2008 e março de 2010.
Em cinco anos, só a Grande São Paulo ganhou 1,8 milhão de novos consumidores. Eles hoje integram a classe CD, parcela da população que reúne 14,7 milhões de pessoas com renda mensal entre R$ 804 e R$ 4.807 na região.
Com dinheiro no bolso e carros vendidos com desconto, o consumidor foi às compras. “Além disso, as montadoras souberam usar muito bem a redução do IPI como estratégia de marketing, criando um grande apelo de venda para este público”, afirma Ayrton Fontes, da consultoria MSantos.
PRIMEIRO CARRO ZERO - Uma pesquisa feita pela MSantos em 2010, em feirões de automóveis novos, mostra que 53,7% dos consumidores desses eventos compravam, pela primeira vez na vida, um carro zero km. “Como a classe C tem renda limitada e os bancos só deixam que ela comprometa no máximo 30% de seu orçamento mensal com a prestação, o jeito foi alongar os prazos do financiamento para poder comprar o veículo”, analisa Fontes.
Mas agora o cenário mudou. A redução do IPI acabou em março e o preço do minério de ferro (usado em larga escala na fabricação de carros) já subiu quase 100% nos últimos três meses - o que deixa os veículos mais caros.
Isso até poderia contribuir para que os prazos de financiamentos contratados se alongassem ainda mais, já que com os preços mais altos o consumidor precisaria de mais tempo para pagar a dívida. Porém, o problema é que uma boa parcela da população já está endividada, em especial na classe C. Resultado: o setor já registrou queda de 21,4% nas vendas de abril frente a março. E os números de maio devem ser 15% menores que os de abril.
CUIDADOS AO FINANCIAR - Ainda que as taxas dos financiamentos de veículos tenham caído no último ano, os juros ainda continuam muito altos - em um financiamento de cinco anos, o preço do carro chega a duplicar. Por isso, sempre vale mais a pena juntar o dinheiro para tentar comprar o automóvel à vista
Mas como muitas pessoas não podem (ou não querem) esperar, a dica é fazer um financiamento em, no máximo, 36 meses. Este costuma ser o prazo de garantia oferecido pelas montadoras no País.
Depois disso, caso o carro quebre e você ainda não tiver terminado de pagá-lo, o prejuízo será certo, porque o fabricante não terá mais responsabilidade alguma.
Por fim, contrair uma dívida de longo prazo é um grande risco. No financiamento de veículos, se por qualquer motivo você ficar inadimplente, a instituição financeira toma o veículo de volta e não devolve nada do que você pagou
GASTOS E PERDAS - Quem comprar um carro zero km por R$ 25 mil hoje, vai perder nada menos que R$ 7,5 mil em apenas um ano. Entenda como:
A depreciação do veículo é de cerca de 15%, ou R$3.750
O valor do seguro fica em torno de R$ 2.400 ao ano
O IPVA, que corresponde a 4% do valor do carro, custará R$ 1 mil
Manutenção custará R$ 350
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