Cláudio Duarte
De um lado, um modelo novo desprovido de confortos, com motor ?mil? e minguado pacote de acessórios. Do outro, um importado de luxo, calejado pelos anos de uso, mas ainda imponente. Em comum, o preço: ambos custam cerca de R$ 25 mil, e disputam atenção de compradores.
Antes de fechar negócio com seu sonho de metal, lembre-se: os anos passam, mas os preços das peças do veículo importado ? e você vai precisar de muitas delas, tenha certeza ? permanecem os mesmos, ou até sobem.
Para entender essa relação de paixão e ódio, acompanhamos a história de Luciano Pires, um consumidor comum que sentiu as dores e as delícias de realizar um sonho pagando menos do que gastaria caso comprasse um carro popular.
Professor de Física, Luciano tem habilidade para lidar com números. Em julho de 2005, ele fez uma planilha de previsão de gastos e resolveu trocar um pouco rodado Brava 2002 nacional pelo importado Honda Accord EX 1997 que tem hoje. Pelo equivalente a R$ 19.900, o tão desejado sedã automático estava em sua garagem.
O professor não tinha ilusões. Com uns 140 mil quilômetros rodados, o Honda certamente traria algum problema pendente.
? O radiador apresentou um vazamento de fluido, o que fez a temperatura subir repentinamente. A loja que me vendeu o carro pagou o conserto ? conta Luciano.
Vazamento resolvido, começou a lua-de-mel com o Accord. Carinhoso com o carro, Luciano promoveu melhorias. As rodas de ferro aro 14 foram substituídas pelas de 15 polegadas iguais às usadas no Honda Prelude, com pneus mais largos. Os amortecedores também foram trocados, duas vezes. O primeiro jogo, de uma marca obscura, deixou o carro macio demais.
A pintura, que permanecia original, recebeu um polimento caprichado. O Accord se tornou um respeitável sedã, tratado com desvelo. Tudo ia bem, até que a relação começou a se desgastar.
O radiador apresentou novos vazamentos, e o carro voltou à oficina. A garantia já terminara, e Luciano amargou o primeiro gasto com reparos ? até então, o que saiu do seu bolso havia sido investido no embelezamento do carro ou em manutenção preventiva, como a troca das pastilhas de freio e da correia do comando.
Às vésperas de completar um ano, o relacionamento entre o professor e o Accord sofreu mais um duro golpe: o alternador parou de funcionar, e a peça foi condenada.