por Michel Escanhola e Viviane Biondo | Fonte: Jornal do Carro
Para o administrador Paulo Tadiello, carro é patrimônio. “Chego a lavá-lo duas vezes por semana. Quanto melhor eu cuidar, mais será valorizado.” Ele conta que investiu R$ 1 mil em seu veículo anterior, uma picape Mitsubishi L200 2005, antes de fechar negócio. “Sempre faço uma revisão na concessionária. Também tiro todos os riscos. Recupero o valor porque consigo acima da tabela”, diz ele, que acaba de pôr à venda um Pajero 2007.
Exemplos como o de Tadiello mostram que manter o veículo em dia pode fazer muita diferença na hora da revenda. Alguns cuidados simples permitem valorizar o modelo sem ter de gastar muito. O funcionário público Maurício Fernandes diz ter conseguido R$ 1.200 acima da média de mercado por um Fiat Palio 1.6 2000, gastando R$ 200. “O carro se destacou após o polimento e a cristalização. Ficou com cara de novo.”
O consultor Paulo Garbossa, da ADK Automotive, lembra que há casos em que o investimento não compensa. “É preciso pôr os gastos na ponta do lápis. Às vezes é melhor vender com aquele arranhado do que consertar, porque, além do risco de o retoque não ficar bom, o comprador nunca saberá ao certo qual era o real tamanho do estrago.”
Foi o que fez a advogada Renata Domingos. Ela já havia fechado a venda de seu Fiat Siena 2006 quando percebeu que o marcador do nível de combustível não estava funcionando. “Gastei R$ 350 para arrumar. Esse cuidado compensou os riscos na pintura na hora da venda.”
DETALHES QUE DEIXAM O CARRO NOVO - Com R$ 160 já é possível dar uma cara nova para o carro, segundo Volvei Morales, gerente da Eco Shine (3955-1200), lava rápido no Bairro do Limão, zona norte. “A higienização tira aquele aspecto de encardido dos bancos, teto e laterais de porta forrados de tecido. Mas o cheiro de cigarro só o tempo tira.”
O consultor Paulo Garbossa, da ADK Automotive, é enfático: “só compra carro de fumante quem também fuma. Pode até acontecer de o interessado não fumar, mas ele só vai fechar negócio se a desvalorização for bem alta.”
De acordo com Sérgio Moreira, riscos superficiais são removidos com polimento e cristalização, conjunto de serviços que custa, em média, R$ 200. Ele cobra de R$ 70 a R$ 100 por pequenos reparos de martelinho, que dispensam a repintura de partes amassadas. “É indicado para marcas nas portas e ‘totós’ nos para-choques”, explica. Já a pintura das rodas sai por R$ 100 cada.
Revisar o veículo, incluindo verificação de motor e regulagem dos freios e faróis parte de R$ 140 na Auto Mecânica Scopino (3955-2986), na zona norte.
Os pneus são um dos itens que mais pesa no bolso. O modelo mais em conta, de acordo com pesquisa feita pelo InformEstado, é o Firestone 165/70, de 13″, que saem a R$ 135 cada. Os quatro custam R$ 540 na Pneus Carrão (2721-4561).

(Foto: Cláudio Teixeira/ AE)
PNEUS
Representa um dos maiores custos para quem vai vender o carro. O mais em conta parte de R$ 135 (unidade), segundo pesquisa feita pelo InformEstado. Alinhamento e balanceamento, necessários após a troca, saem a R$ 56 e R$ 15 (por roda), respectivamente, na Dpaschoal.
FUNILARIA E PINTURA
Um serviço de martelinho de ouro, para pequenos amassados, custa entre R$ 70 e R$ 100. Esse tipo de reparo dispensa a repintura. Já riscos superficiais podem ser removidos com polimento e cristalização por, em média, R$ 200. Pintar as rodas sai a R$ 100 (cada).
HIGIENIZAÇÃO
Limpar tetos, revestimento dos bancos e laterais das portas, incluindo a lavagem das capas, parte de R$ 160. Além de dar ao veículo aspecto de bem cuidado, esse serviço remove odores desagradáveis. Mas o de cigarro, característico de carros de fumantes, só sai com o tempo.
RETIRAR RISCOS PARTE DE R$ 70 - Deixar de reparar o veículo, independentemente do conserto ser pequeno ou de grande monta, certamente resultará em depreciação, seja por lojistas, seja por particulares. Na maioria das vezes, a desvalorização costuma superar o valor dos serviços. “Um veículo com motor falhando ou ruídos na correia e no rolamento causa péssima impressão. Na hora da compra, o cliente dificilmente sabe se é um defeito simples ou não e acaba desistindo”, afirma o mecânico e professor do Senai Pedro Scopino.
Dono da New Force Car (2294-6384), na zona leste, Roliem Barrios diz que o dono do carro raramente conserta amassados antes de vender. “O avaliador deprecia para pagar o mínimo possível e diz que dará desconto no novo, o que nem sempre é vantajoso.”
Gerente de vendas da TAG Veículos (2296-6566), na Vila Carrão, zona leste, Carlos Roberto afirma que retirar adesivos de vidros e lataria e fazer uma limpeza geral no carro ajuda na hora da venda. “Ter pneus em boas condições e equipamentos originais também. A higienização só é fundamental em veículos de fumantes ou para os que não costumam limpar o carro com frequência.”
Segundo Sérgio Moreira, da Performance Martelinho de Ouro (2228-6638), na zona norte, retirar pequenos riscos parte de R$ 70 e o polimento, de R$ 200. “A aparência reforça que o carro é bem cuidado, tem procedência.”
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