Fotos: Ulisses Cavalcante
Evento reuniu quase 80 Opalas, com direito a desfile no sambódromo
O paulista Fábio Costa é fã de Opalas desde criança e tem uma ligação afetiva com o carro. Foi o primeiro veículo que dirigiu na vida. Suas primeiras experiências atrás do volante se resumiam a tirar da garagem o cupê 1979 de seu pai, quando ainda era garoto, mas foi o suficiente para que ele se apaixonasse pelo veículo. A família teve de vender o Opala, mas o menino nunca mais se esqueceu daquele cupê bege.
No início de 2008, Costa andava pelo sambódromo de São Paulo, onde antigomobilistas de todo o Brasil se reúnem às terças-feiras, e encontrou um Opala Comodoro 1979 idêntico ao que usara para aprender a guiar. Estava impecável. O hodômetro marcava apenas 25.000 quilômetros rodados. Se não fosse pelo ano de fabricação descrito na documentação, ficaria difícil acreditar que o automóvel já completou 28 anos. Costa decidiu levar o Opala para casa e teve de desembolsar dinheiro suficiente para comprar um carro moderno e todo equipado.
Fábio Costa e seu Opala Comodoro 1979 com aparência de carro zero quilômetro
No mesmo ano em que Fábio Costa realizou seu sonho de criança o Chevrolet Opala completou 40 anos de existência. Para celebrar a data, o Clube do Opala de São Paulo e outros proprietários apaixonados pelo carrão levaram seus quase 80 Opalas ao sambódromo paulista. O encontro reuniu carros que representaram praticamente todos os 23 anos e cinco meses em que o Opala foi produzido. Estavam lá o ?pai? do Opala, o alemão Opel Commodore e o Diplomata Collectors de 1992, uma edição comemorativa que marcou o fim de sua produção.
Chevrolet Opala é baseado no Opel Commodore, da divisão européia da GM (Foto: Fábio Gonzalez)
Para Luciano Aguiar, 53 anos, vice-presidente do Clube do Opala de São Paulo, que é o maior do Brasil, o Opala já atingiu status de carro ?colecionável?. Por conta disso, o modelo está valorizado e difícil de ser encontrado em bom estado. ?Está cada vez mais complicado para achar peças, principalmente os itens de acabamento?, diz Aguiar. ?A parte mecânica é mais fácil, pois dá para fazer adaptações.? Aguiar possui um Diplomata 1992 preto, que comprou em 1996, e não pretende se desfazer do sedã. Ele afirma que o modelo mais raro e desejado é a versão SS de 1971, pois foi o primeiro sedã com quatro portas da série esportiva.
Chevrolet Opala Gran Luxo 1972
O Opala foi lançado no Salão do Automóvel de 1968, mas apenas chegou às lojas no ano seguinte. Foi produzido ininterruptamente até 1992, quando foi substituído, sob protestos dos fãs, pelo Chevrolet Omega. Ficou famoso pelo conforto, robustez, confiabilidade e excelente mecânica. Suas três opções de motores tornaram-se famosas no país e hoje são empregadas até em jipes. Os primeiros Opalas foram lançados com duas opções de motor, um 3.8 litros, o famoso ?3800?, e o 2.5, de quatro cilindros. Em 1970 veio o lendário ?4100?, de seis cilindros, que marcou a chegada da série esportiva SS. Este propulsor era usado originalmente no americano Chevrolet Impala e desenvolvia 140 cavalos.
Chevrolet Opala SS 1972
Chevrolet Opala SS 1978
Em 1975 a Chevrolet lançou a versão perua do Opala, a Caravan. Na época, o familiar era um dos automóveis mais caros do mercado e foi por muitos anos o sonho das famílias grandes. Hoje, ainda agrada os opaleiros, mas tem menos procura em relação às versões cupê e sedã. Um modelo da primeira geração, produzida entre 1975 e 1979, em bom estado de conservação, custa cerca de R$ 10.000. As peruas mais novas, equipadas com direção hidráulica, ar-condicionado e vidros elétricos, podem esbarrar nos R$ 20.000.
Chevrolet Opala Comodoro 1981
Chevrolet Caravan Comodoro 1987
O vice-presidente do Clube do Opala recomenda aos interessados em adquirir um Opala a procurar modelos originais. ?Quanto maior a originalidade, maior o valor do veículo. Ganha-se também por conta do valor histórico do carro?, diz. Para quem quer comprar seu primeiro antigo, os clubes de carros podem fornecer informações precisas sobre a fabricação de cada versão, tabelas de cores, acessórios de época, peças de reposição e ofertas de modelos à venda. ?Para se associar ao Clube do Opala, o interessado passa um período apenas como participante e depois de algum tempo sua associação é efetivada?, conta Aguiar. Em São Paulo, os sócios pagam uma taxa anual de R$ 200 para manter o clube e os serviços prestados.
Chevrolet Opala Diplomata SE 1992