Além das enchentes, as chuvas fortes trazem outra ameaça aos veículos: a infiltração de água. Ela pode começar discretamente, com um fiozinho correndo pelos vidros em direção à guarnição das portas, ou com a formação de pequenas poças perto dos bancos ou no porta-malas. “A água que entra na carroceria vai se acumulando sob o tapete até formar uma poça”, explica o chefe de oficina do Centro de Experimentação Viária (Cesvi), Eduardo Fernandes. “Por isso, o sinal mais evidente de que há algo errado é o odor desagradável”.

(Fotos: André Lessa/ AE)
Proprietário da Auto Vidros VR (3831-7942), na Vila Leopoldina (zona oeste), José Valderedo alerta: “Quanto mais o proprietário demorar para descobrir a infiltração, maiores serão os danos ao veículo. Com o tempo podem surgir pontos de bolor que obrigarão a troca do revestimento.”
Quando a água entra pelo para-brisa, a causa mais comum é uso de cola de má qualidade ao trocar o vidro, segundo Valderedo.

De acordo com especialistas, o processo de identificação do lugar por onde a água está entrando pode ser complicado e demorado. “Às vezes é preciso retirar todo o estofamento e, enquanto um reparador joga água na parte de fora do carro, o outro fica com uma lanterna dentro do veículo procurando sinais”, explica Fernandes.

Segundo o técnico do Cesvi, os pontos de infiltração mais comuns são as guarnições de vidros e portas, áreas entre motor e painel (que devem ser vedadas com borrachas circulares, conhecidas como “passa-muros”), e protetores de lanternas.
As principais causas de infiltração são a instalação malfeita de sistemas de som e vidros elétricos que comprometam a vedação da carroceria. “Ao cortar a folha plástica entre a forração e a chapa, o carro fica sujeito a infiltração. Se isso ocorrer é preciso desmontar a porta, secar e retirar os possíveis pontos de mofo”, diz Massahiro Fujiwara, dono da Garassu Vidros Automotivos (3813-2506), em Pinheiros, zona oeste.
“As borrachas de vedação muitas vezes são retiradas para permitir a passagem de mais fios e deixam a área sujeita a entrada de água”, explica Bruno Chiarella, gerente da área técnica da Peugeot.
PREÇOS - Sérgio Moreira, da Performance Martelinho de Ouro (2238-6638), na Casa Verde, (zona norte), diz que a falta de solda entre as partes e serviços de funilaria malfeitos também podem deixar pequenas aberturas para entrada de água. “Para descobrir e calafetar, o preço varia de R$ 50 a R$ 300.”
Na Auto Vidros VR, vedar a entrada de água perto dos pedais parte de R$ 30. Retirar e recolocar o para-brisa sai a R$ 130. “Com a remoção do estofamento o preço pode chegar a 400″, diz Valderedo. Trocar o farol de um Chevrolet Corsa na Carglass (2076-5050) do Tatuapé (zona leste) custa R$ 170.
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