Mais de 530 mil consumidores que financiaram veículos por meio de leasing, crédito direto ao consumidor (CDC) e consórcio estão com as parcelas atrasadas. Os dados foram levantados pelo consultor de mercado Ayrton Fontes e representam 5,6% de um total de 9,5 milhões de negociações a prazo. ?A tendência é de aumento de retomada e leilão de veículos, o que pode restringir o crédito se passar de 7%?, afirma Fontes.
Para Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o resultado é efeito da crise econômica. ?Hoje, as taxas de juros estão em queda e, com IPI reduzido, o cenário é positivo para quem vai comprar.?
No entanto, deixar de fazer as contas antes de fechar negócio continua um dos principais motivos da inadimplência. ?Seduzidos por feirões e pelas condições oferecidas pelos bancos das fabricantes, há quem pense poder pagar R$ 500 mensais sem dificuldade e não hesita em, por mais R$ 200, ter opcionais no carro?, diz José Tuba, proprietário da Tuba Veículos (3673-9234), na Lapa (zona oeste).
Só na primeira quinzena deste mês, Tuba comprou cinco veículos de proprietários que não conseguiriam arcar com o restante do financiamento.?Aceito o carro depois de calcular o valor pelo qual venderia e o que faltava para quitar, além da comissão.?
Para Fontes, quem procura lojistas como Tuba faz boa opção. ?No caso de um Celta 2008, por exemplo, financiado em 60 parcelas de R$ 600, ele será vendido por R$ 17 mil. Se o consumidor pagou 20, restam ainda R$ 24 mil para quitar a dívida, fora os custos desse processo. Já se transferir, pode conseguir valor maior.?
MAIS ALTERNATIVAS - Segundo Marcos Crivellaro, professor Ph.D. consultor em finanças, apertar o orçamento doméstico é o primeiro passo para escapar da inadimplência. ?Só é justificável atrasar parcelas se houver diminuição de renda.?
É o caso de Luciano Miranda, engenheiro de telecomunicações que perdeu o emprego depois de pagar oito das 60 parcelas de seu Fiat Palio 2006. ?Fui forçado a cortar custos e contatei a financeira. Soube que poderia efetuar a quitação antecipada, transferir a dívida para terceiro ou entregar o veículo e pagar o saldo remanescente. Achei as duas últimas opções nada vantajosas.? Miranda preferiu vender seu Toyota Corolla 2008 e quitar o financiamento. Nesse caso, o devedor tem direito à redução proporcional da dívida. ?No caso de refinanciamento, para tentar reduzir o valor das parcelas, deve-se ter cuidado para não assinar contratos com cláusulas abusivas e onerosas?, afirma Anderson Luiz Dianoski, advogado especialista em direito tributário da JLA Advocacia.
Júnior Rogério da Silva, assistente jurídico de bancos, afirma que o melhor é contatar a financeira, como fez Miranda. ?O inviável é ocultar o carro, como fazem alguns devedores, que continuam com a dívida, além de custos judiciais e processuais.?
FIQUE ATENTO
Escolha um modelo que possa ser pago no menor tempo possível, em parcelas de no máximo 10% da renda mensal;
Leia todas as cláusulas do contrato e verifique o Custo Efetivo Total (CET) para saber o real valor da dívida;
Verifique a taxa de juros em mais de uma financeira.
NÃO ESPERE PARA:
Contatar banco a fim de acertar refinanciamento ou quitação total com desconto, devolução amigável ou transferir dívida, antes que entre na esfera judicial;
Consultar se já está inadimplente no www.tj.sp.gov.br
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