
Fiat Linea e Citroën C4 Pallas travam duelo de estilo (Fotos: Ulisses Cavalcante)
Treze. É a quantidade de bipes disparados toda vez que o motorista realiza uma “manobra não consentida” no sedã da Fiat. Para o Linea Dualogic, o termo significa que quem está ao volante tentou engatar uma marcha não adequada à situação. E, se você está aprendendo a usar o câmbio automatizado, acredite, vai ouvir esses silvos dezenas de vezes.

Sedãs são elegantes, mas Pallas tem porte maior
Este pequeno aborrecimento vem acompanhado de outro, também relacionado com a transmissão. Mas falaremos do câmbio adiante. Por enquanto, vamos conhecer o adversário. O Citroën C4 Pallas utiliza câmbio automático convencional, de quatro marchas, com opção de trocas manuais. Sua grande novidade é a recente adoção do motor 2.0 bicombustível. Leva vantagem sobre o Linea por conta do torque maior, 21,6 kgfm a 4.000 rpm, contra 18,6 kgfm a 4.500 rpm. Mas fique atento ao consumo de combustível. Durante a avaliação do ZAP, a melhor média de gasto rodando com álcool foi de 5,5 km/l no trânsito carregado. Em São Paulo, considerando o álcool a R$ 1,37 e a gasolina a R$ 2,40, o custo por quilômetro rodado é praticamente o mesmo. Vale a pena ficar no combustível vegetal por conta das emissões menores, mas o alívio no bolso foi quase nulo à bordo do Citroën.

APARÊNCIA - As fotografias mostram que os sedãs travaram um embate de estilo. O visual é destaque nos dois. Neste quesito, eles empatam em modernidade. O francês é mais imponente. No entanto, é preciso levar em conta que se trata de um carro ligeiramente maior. O Pallas tem 4,77 metros de comprimento, contra 4,56 m do Linea. Na largura, são 1,77 m e 1,73 m, na mesma ordem.

Pusemos lado a lado o Linea Absolute (R$ 64.850) e C4 Pallas Exclusive (R$ 67.370). Nesta configuração, R$ 2.520 separam os dois. Vale lembrar que o Fiat Linea ainda pode vir na versão T-Jet, equipada com motor 1.4 Turbo. Neste caso, seu preço sobe para R$ 73.857. Mas, se você está pensando em custo-benefício, a opção intermediária dotada de propulsor 1.9 é a mais adequada. Desde dezembro do ano passado, o C4 ficou R$ 7.600 mais barato por conta da redução do IPI e descontos forçados pela crise financeira. O preço do Linea caiu R$ 3.800 no mesmo período.

EQUIPAMENTOS - A lista de equipamentos de ambos é extensa. O Linea vem com direção hidráulica convencional. O Pallas dispõe de assistência elétrica ? ainda mais macia. Outra vantagem do francês é o volante com o centro fixo, que, além do visual bacana, concentra grande quantidade de funções, como o controle do som e controlador de velocidade. Ambos têm ar-condicionado digital. E mais uma vez o Citroën sai na frente: oferece ajustes de temperatura independentes para motorista e passageiro.

Em comum aos modelos também estão o volante com regulagem de altura e profundidade, sensor de estacionamento, faróis automáticos, rodas de liga aro 16, air bag duplo, freios ABS, computador de bordo e iluminação no bagageiro.
O Linea oferece sistema de som mais completo, com entradas auxiliares, conexão Bluetooth e viva-voz para telefone. Só o Pallas vem com porta-luvas refrigerado.
Se você se interessar por opcionais, na minha opinião, esqueça o Blue & Me NAV da Fiat, que sai por R$ 1.087. O opcional é ruim de usar, pois a inserção de endereços é lenta e trabalhosa. E não há display que permite a visualização de mapas. Prefira usar o dinheiro para comprar um aparelho GPS comum.

Interior do Linea não é tão espaçoso quanto o modelo francês
MECÂNICA - O Fiat Linea é o primeiro sedã nacional a vir equipado com o câmbio automatizado. A Fiat inaugurou o equipamento com o Stilo, seguida pelo Chevrolet Meriva. A tecnologia ainda é recente e restrita. Mas deve se popularizar cada vez mais com a chegada de novos concorrentes. Ainda em 2009 a Volks lançará o Polo e Fox com o equipamento. A Fiat também terá o Punto automatizado.

Centro do volante do C4 Pallas é fixo. Conforto é o destaque do interior
Trata-se de uma caixa de câmbio comum, mas acoplada a um sistema que automatiza seu funcionamento, como uma transmissão automática. Se preferir, o motorista pode se encarregar de efetuar as mudanças, no modo manual, como um câmbio mecânico. A diferença é que basta um toque para frente ou para trás e as marchas são trocadas, sem que seja necessário usar a embreagem.
No Fiat Linea, nota-se que as passagens de marcha não são suaves em modo automático, diferentemente da caixa automática comum do C4 Pallas, cujas mudanças são quase imperceptíveis. O mesmo ocorre nas primeiras trocas manuais até o motorista pegar o jeito. Uma vez acostumado ao seu funcionamento, consegui evitar as oscilações na carroceria durante as mudanças de marcha.

Câmbio Dualogic (esq.) do Linea é novidade, mas a transmissão convencional do Pallas (dir.) é mais suave
Só não consegui me livrar da chateação de explicar aos manobristas como essa caixa de marchas funciona. Aqui no edifício do ZAP, em que o estacionamento utiliza os serviços destes profissionais, precisei orientar todos os funcionários. Como eles geralmente vão embora antes de mim, ora esqueciam de engatar o neutro, ora deixavam de acionar o freio de mão. Em uma semana rodando com o Linea, não houve um dia em que a alavanca foi deixada em ponto morto, acompanhada do freio acionado.

Quadro de instrumentos do Linea tem visual retrô
MERCADO - A redução do IPI fez bem aos dois sedãs. O carro agrada no trânsito, é confortável para viagens e está recheado de equipamentos. No entanto, por R$ 69.340 leva-se um Honda Civic para casa. Os R$ 4.490 que o separam é pouco para convencer os fãs do modelo japonês a trocá-lo pelo carro da marca italiana. O Pallas tem mais argumentos além do preço, como o porte imponente e jeitão de carro mais caro do que realmente é. Mas os dois são fortes candidatos frente aos R$ 70.504 por um Toyota Corolla XEi equipado com bancos de couro. Principalmente se você conseguir um desconto bom, se ameaçar os vendedores com uma visita às lojas dos japoneses.
Assista ao vídeo explicando o funcionamento do câmbio automatizado Dualogic
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