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San Vito S1: um fora-de-série nacional

Categorias: TESTES E AVALIAÇÕES
Fotos: Ulisses CavalcanteO pai do “brinquedo” é o arquiteto Vito Simone que trabalhou 21 anos como designer na Ford

O S1 ficou pronto às vésperas do Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, depois de um “parto” que levou cerca de três anos e meio. O “pai” é o arquiteto Vito Simone, cuja experiência na área automotiva vem de seus 21 anos de trabalho como designer na Ford, na época da Autolatina.

S1 foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro

Depois de chamar a atenção no Salão, o S1 ainda não tem compradores, mas já levamos o carrinho para  um rápido passeio em São Paulo. Entrar e sair do modelo é um desafio. Com 1,15 m de altura e entreeixos de 2,16 metros, espaço é um assunto crítico, principalmente para quem tem mais de 1,75 m. Como não é meu caso, não tive problemas para me acomodar bem. E, uma vez atrás do volante, a posição de dirigir é bem agradável. Há problemas, como a falta de um apoio para o pé esquerdo e a pequena área de visão pelo pára-brisa, mas esses detalhes são logo esquecidos por conta do alto nível de diversão que o S1 garante. E nem por isso estou falando apenas de potência bruta. Também não é o forte do fora-de-série.

O fora-de série é estreito, como carros de corrida, o que dificulta a entrada e saída do “piloto”

Nas ruas, o esportivo verde chama a atenção como uma Ferrari. E, para quem quer atrair olhares, o San Vito S1 é até mais eficaz que o bólido italiano. Afinal, consegue o mesmo efeito custando 15 vezes menos. Por R$ 98.000, é uma barganha.

O.K, é verdade que o motor AP 1.8 turbinado capaz de despejar apenas 145 cavalos nas rodas não causa tanta emoção em que está dirigindo, mas e daí? Pelo mesmo preço, você pode levar para casa um Honda Civic ou um Golf GTI. Os dois são divertidos de guiar, mas, se você tem R$ 100.000 para gastar em um brinquedo, convenhamos, custo-benefício é a última análise que você vai fazer.

O visual do esportivo chama atenção nas ruas. O motor 1.8 de 145 cv não acompanha o aspecto bruto do S1

Por enquanto, levar um S1 para casa significa abrir mão de algumas comodidades, como o ar-condicionado - ele não tem, e outras facilidades da eletrônica embarcada. Todos os controles são manuais.

Vito Simone é um entusiasta. Para se aventurar em um projeto destes, não poderia ser diferente. Criar um carro do zero é um desafio que atrai muitos aventureiros desde a invenção do automóvel. Hoje, essa missão, além de complicada, é cara. Você achou caro demais pagar R$ 100.000 por um carro equipado com motor AP 1.8 de 145 cv? Bem, os custos de um carro artesanal são altos. Todas as peças são compradas em prateleiras, as mesmas que eu ou você também temos acesso. Somando custos com mão-de-obra, fabricação e peças, Simone diz gastar mais de R$ 82.000. Valor mais de quatro vezes superior ao que uma montadora consome para produzir cada unidade.

O fora-de-série usa faróis da Honda GC, do VW Gol G3, do Chevrolet Vectra e até de um microônibus

Os faróis dianteiros são emprestados da motocicleta Honda CG, os milhas vêm do VW Gol G3 e os piscas são do Chevrolet Vectra. Na traseira, as lanternas vieram de um microônibus. Na parte mecânica, os freios têm componentes do Vectra, Kadett e também da Volkswagen.

Painel de instrumentos precisa de mais pontos de fixação

Como o protótipo S1 é filho único, revelou alguns desafios durante a montagem e ainda apresenta com sua breve utilização. Os testes de rodagem e uso intenso começaram depois do Salão. Durante nossa avaliação, uma onda de ar quente invadia a cabine, esquentando o braço direito do motorista. O calor do motor chega ao interior do carro pelo túnel do freio de mão. O painel mostrou que precisa de mais pontos de fixação e até o pára-sol atrapalha a visão do trânsito. São três problemas inadmissíveis em um Honda, em um Volks ou qualquer outro produto que consumiu milhares de reais até ficar pronto. No caso do esportivo que Vito Simone criou no galpão de sua empresa, podemos rebaixar estas observações a meros detalhes. Para um carro feito à mão, chegam a ser irrelevantes frente aos milhares de problemas que poderiam surgir.

Calor do motor invade a cabine pelo túnel do freio de mão

Para o S1, Vito pensou em tudo, do design à motorização. E ele mesmo pôs a mão na massa, ou melhor, na fibra de vidro. Sobre um chassi tubular feito sob encomenda, toda a carroceria e interior utilizam o material. Como inspiração, ele afirma não ter pensado em um carro específico, mas queria que seu esportivo fosse uma interpretação atualizada do que um Porsche Spyder poderia ser. “Pensei em um carro simples, espartano, que transmitisse esportividade.” No entanto, a idéia inicial foi perdendo espaço conforme o projeto se aperfeiçoava. “Decidimos incluir um ventilador e vidros elétricos, por exemplo.”

A idéia inicial do criador era um carro simples que transmitisse esportividade

A cada olhar sobre o S1, Vito enxerga uma nova melhoria. Já pensou em uma nova suspensão, alguns acessórios, alterações nas caixas de roda e até o aumento do entreeixos. Se você encomendar um San Vito S1, até pode ajudar a desenvolver seu próprio carro. Afinal, é difícil aguardar os três meses necessários para produzir um destes sem dar palpite algum.

Um comentário sobre “San Vito S1: um fora-de-série nacional”
  • Pedro disse:    ( 23.08.2010 às 22:23 )

    nossa que daora

    meu pai tem um desse ”’


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