Já estamos acostumados ao celular, computadores ligados em rede, equipamentos sem fio e a um sistema de comunicação que nos atende 24 horas por dia. Consultamos a internet para ler notícias, verificar as condições do tempo, fazer compras e até para planejar as férias.
Todas estas facilidades ainda não atingiram plenamente um campo do qual somos vítimas diariamente: a mobilidade urbana. A velocidade média em capitais brasileiras é a mesma que se tinha no início do século passado, quando a indústria automobilística engatinhava.
Apenas na cidade de São Paulo, circulam diariamente mais de 3,5 milhões de veículos. Agora, pense em 3,5 milhões de pessoas tomando dezenas de decisões por hora simultaneamente. Acrescente nesta conta o custo da imprudência dos condutores, com excesso de velocidade, consumo de álcool e até mesmo a distração ao dirigir. O resultado é um sistema desenhado para falhar e provocar acidentes.
A tecnologia para amenizar este problema já existe. Temos GPS, comunicação móvel, monitoração remota, computadores, satélites. No entanto, nos limitamos a consultar a internet ou sintonizar o rádio, torcendo para o locutor citar as condições do trânsito na região para onde vamos.
Para os especialistas ouvidos durante o Challenge Bibendum, no Rio de Janeiro, a comunicação sem fio será crucial para reverter este quadro. Combinada com outras ferramentas, pode reduzir em até 15% o tempo gasto em caminhos congestionados. Estocolmo, Copenhagem e Londres são exemplos de cidades que já experimentam um sistema de comunicação integrado, no qual os motoristas recebem em seus navegadores por GPS informações do trânsito, clima e condições das vias.
Em uma segunda etapa de um sistema de tráfego inteligente, cada carro pode se tornar um provedor de dados para alimentar um sistema interconectado, recebendo e enviando informações aos outros motoristas. Em outras palavras, os carros ao seu redor poderão avisá-lo sobre acidentes ou paradas bruscas na via. Conhecendo, com antecedência, uma condição adversa à frente, você toma uma rota alternativa antes de ser surpreendido pelo caos.
Ao integrar nossos carros em um sistema de comunicação, como já ocorre com nossos computadores por meio da internet, seremos beneficiados por uma rede de inteligência artificial coletiva. Esta tomará algumas decisões por nós, como o melhor caminho a seguir, a faixa mais rápida para trafegar e até o momento de revisar o motor.
Se as vias e estabelecimentos comerciais também forem integrados a esta rede automotiva, ganhamos mais benefícios ainda. Não será mais necessário procurar vagas em estacionamentos lotados, nem parar em semáforos.
Carros ?conversando? com a via permitirão que você programe sua velocidade para chegar aos cruzamentos apenas quando o sinal estiver ?verde?. Isso economiza tempo, reduz o consumo de combustível e até mesmo permite que mais veículos sejam admitidos nas ruas, já que o fluxo de carros passa a ser mais ágil.
Ao tirar dos motoristas a obrigação de tomar algumas decisões, a tecnologia abre um novo viés acerca da segurança viária. Deixaremos de pensar apenas em sistemas de segurança ativa (freios ABS, controle de tração) e passiva (air bags, cintos de segurança), para reduzir os estragos provocados em acidentes.
Também levaremos em conta a segurança preventiva. Ou seja, vamos usar a tecnologia da informação para nos antecipar a situações adversas e prevenir fatalidades. Afinal, você prefere ter um carro preparado para uma colisão ou um carro projetado para evitar uma colisão?