por Lu Aiko Otta e Fernando Nakagawa | Fonte: O Estado de S. Paulo
Diante do desempenho fraco da economia, o governo anunciou ontem um pacote de R$ 2,7 bilhões para estimular o consumo, principalmente o de automóveis, e a aquisição de máquinas e equipamentos. Como fez na crise de 2008 e 2009, o Planalto cortou impostos, liberou mais dinheiro para empréstimos e reduziu juros. Ainda assim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que será difícil crescer 4,5% este ano.

Anúncio faz parte de medidas para reaquecer a economia (Foto: André Lessa/ AE - Arquivo)
As medidas foram costuradas com os setores produtivo e financeiro, num compromisso “inédito”, segundo Mantega. Para reduzir o estoque das montadoras, o governo zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis de até 1.000 cilindradas e arrancou das montadoras um compromisso de reduzir a tabela em 2,5%. Com isso, o preço final dos populares deve cair cerca de 10%. Para os modelos com motor de mil a 2mil cilindradas, a expectativa é que o preço final sofra redução de 7%. “Isso atende à demanda do setor”, disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini. “Os estoques estão altos e é preciso fazer girar a máquina da indústria automobilística.”
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A redução vale até o fim de agosto e o governo estima que deixará de arrecadar R$ 1,2 bilhão no período. As montadoras se comprometeram a não demitir durante a vigência do acordo. Para os modelos importados, continua valendo a alta de 30 pontos porcentuais no IPI.
Os bancos se comprometeram a reduzir a entrada e os juros, além de alongar prazos nos financiamentos. Em troca, serão liberados R$ 18 bilhões que hoje as instituições têm de manter no Banco Central e que não recebem juro, disse o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes. Na prática, o governo redirecionou ao setor de veículos o benefício dado aos grandes bancos, que depositavam recursos em casas menores. “Eu confio na indústria automotiva e na Anfavea, e também confio nos bancos”, disse Mantega, ao ser questionado sobre o compromisso.
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