Rio - A Renault-Nissan pode trazer para o Brasil um dos carros mais baratos no mundo. Ainda em fase de desenvolvimento com a indiana Bajaj, o modelo, chamado de ULC (preço ultrabaixo, em inglês), deve chegar ao mercado indiano apenas em 2012 com o mesmo valor do rival Nano, da Tata, de US$ 2.500 . Em evento na Câmara de Comércio França-Brasil, no Rio de Janeiro, Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault-Nissan, ressaltou que a montadora quer dobrar de tamanho no Brasil, chegando a 10% nos próximos anos, com o lançamento de novos automóveis, como veículos menores. Confira a entrevista dada ao GLOBO:
A Renault-Nissan pode lançar um Nissan pequeno no Brasil?
Não basta trazer um pequeno carro. Tem que produzir o carro. Uma grande percentagem das partes do carro tem que ser produzida no Brasil. Sem uma produção competitiva no Brasil, não vale a pena trazer porque terá um preço que não valerá a pena. Ou, então, ficará dependente da taxa de câmbio - tanto para cima quanto para baixo. A lógica é trazer carro pequeno popular com volume importante de produção. As duas empresas (Renault e Nissan) estavam entrando cada uma com o produto dela no Brasil. Agora, o que estamos fazendo é usar o máximo de partes comuns entre os carros. Será para facilitar a fabricação e a integração competitiva, para que o preço seja competitivo. Vamos lançar um modelo novo. E o projeto demora porque tem que escolher o carro.
Como está o Contrato 2012 (plano estratégico para o Mercosul)?
Nós suspendemos o Contrato 2012, ao entrar na crise. Temos que botar a empresa para enfrentar a crise. Mas mantemos no Contrato 2012 alguns projetos estratégicos. E o Nissan pequeno faz parte disso. A fábrica matriz é a do Brasil. Tudo é feito em função dela. Se tiver condição, novos modelos serão produzidos lá. De certa maneira, a Argentina funciona como uma extensão de unidade fabril de Curitiba.
A parceria com a Bajaj para fabricar um carro ultrabarato pode chegar ao Brasil?
Pode render um fruto. O primeiro alvo é a Índia. Existe o desenho, mas o produto será comercializado primeiro lá. Temos a esperança de que seja vendido - já tivemos atraso no projeto devido à crise - em 2012. O preço será o mesmo do Nano (o preço previsto é de U$ 2.500).
Como o senhor analisa a expansão das montadoras chinesas?
Elas têm muito terreno a cobrir em termos de produto e em marketing. A China já é o segundo maior mercado do mundo. Evidentemente, a China vai trazer pelo menos uma grande montadora (no mundo). Temos que seguir seriamente o que está acontecendo na China. Mas, hoje, pelo que está ofertado, eles vão ter que desenvolver mais.
A Renault-Nissan chegou a conversar com a Chrysler?
Conversamos com eles. Mas não fechamos. Resolvemos concentrar em enfrentar a crise e nos preparar para o futuro, e não ter dispersão. É um momento em que se tem uma crise grave. Se começar a fazer dispersão com outras alianças, você está perdido. Então, a crise faz com que a Renault diga não. Em 2008, fomos a terceira montadora, com 6,9 milhões de carros.
Após a união entre Chrysler e Fiat, é possível pensar em novas operações?
Ainda há espaço. Isso ainda não acabou. Hoje, as montadores estão preocupadas em como vão investir em tecnologia se não têm um tamanho mínimo. Tem que ter escala forte.
Há algum lugar no mundo onde essas operações sejam mais intensas, como Ásia, Europa?
Tudo é possível.
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