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Venda de carros reage nos feirões

Categorias: Redução de IPI, TODAS AS NOTÍCIAS, mercado

O mercado de veículos reagiu no fim de semana, o primeiro após o pacote de incentivos ao setor automotivo anunciado pelo governo dia 21. Montadoras que realizaram feirões calculam aumento de até 150% nos negócios em relação aos finais de semana anteriores, apesar do descontentamento de muitos consumidores. Eles reclamaram da desvalorização do preço do usado e da exigência, ainda alta, do porcentual de entrada para o financiamento, em média de 50% do valor do bem a ser adquirido.

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Feirões no fim de semana ainda com desconto do IPI (Foto: Ernesto Rodrigues/ Arquivo AE)

Feirões no fim de semana ainda com desconto do IPI (Foto: Ernesto Rodrigues/ Arquivo AE)

Fiat e General Motors reportaram vendas de cerca de 2 mil veículos cada uma no sábado e no domingo, em São Paulo. Nos finais de semana anteriores, as vendas estavam na faixa de 800 unidades.

O gerente de varejo da Ford, Ivan Nakano, disse que as vendas da marca em todo o País “mais que dobraram neste primeiro final de semana, quando comparadas à média observada nos finais de semana anteriores”. Segundo ele, além da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), “a Ford contou com descontos adicionais, crédito facilitado e taxas atrativas, o que contribuiu para o bom desempenho”.

A Volkswagen registrou aumento de 30% nas vendas na Grande São Paulo, em comparação com o último feirão realizado nos dias 14 e 15 de abril.

MEDIDA - O governo zerou o IPI dos automóveis com motor 1.0 e reduziu à metade o imposto para modelos de maior potência. As montadoras se comprometeram em reduzir a tabela de preços em mais 2,5%. Na soma, as empresas informaram que houve queda de 7% a 10% do preço final dos automóveis. Já os bancos se comprometeram em reduzir o valor da entrada, os juros e a alongaram prazos de pagamento, o que não foi verificado em muitas lojas.

VENDAS PRELIMINARES - A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) só deve divulgar um balanço do impacto das medidas nas vendas de veículos no anúncio mensal da indústria automotiva, previsto para a próxima semana.

Números preliminares com base em dados do Denatran mostram que foram licenciados em todo o País, até sexta-feira, 240,4 mil veículos, dos quais 229,7 mil são automóveis e comerciais leves. O número, que ainda não inclui os resultados do fim de semana, representa aumento de 2,5% em relação a igual período de abril, que teve um dia útil a mais. Na comparação com maio do ano passado, com registros de 265,4 mil veículos até o dia 27, houve queda de 9,4%.

Para o consultor da Carcon Automotive, Julian Semple, as vendas de carros novos deverão crescer 10% ante abril. Segundo ele, até ontem a média diária de emplacamentos estava ainda 2% acima da média diária de abril. “Mesmo que o governo não tivesse tomado nenhuma medida, as vendas de veículos em maio seriam superiores às de abril. A queda no mês passado tem muito do total de dias úteis, que foram 20 contra 22 em maio”, disse Semple.

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Programa “IPI verde” é abandonado pelo governo

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Durou pouco o programa de “IPI verde” do governo federal. Por causa da decisão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de trabalhar com uma meta mais elevada de superávit primário das contas do setor público em 2010, a política de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados para produtos de linha branca e automóveis vinculada a critérios de menor emissão de poluentes e maior economia de energia foi abandonada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, para não perder a bandeira verde neste ano eleitoral - que já conta com uma candidata de perfil ambientalista, a ex-ministra Marina Silva -, a equipe econômica prepara um estudo com propostas de incentivos econômicos e tributários para desenvolver alternativas ecológicas no setor automotivo.

O trabalho, que deverá ser publicado em julho, não será, no entanto, transformado em ações efetivas pelo governo neste ano. O objetivo é definir propostas para tornar o Brasil uma plataforma de produção de tecnologia limpa e uma referência em termos de combinação de economia e meio ambiente.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, negou que a política econômica com foco ambiental tenha sido algo para “inglês ver”, um mecanismo formatado apenas para dar um discurso mais forte ao governo brasileiro na Conferência do Clima em Copenhague (Cop-15), realizada no fim de 2009, justamente quando a equipe econômica decidiu renovar as desonerações tributárias, mas com o viés ambiental. Segundo ele, as iniciativas do governo nessa área marcaram uma mudança de paradigma que deverá nortear cada vez mais as ações de política econômica, deste e dos próximos governos.

Diante da necessidade de frear o risco de superaquecimento da economia, que poderia pressionar os preços e os juros, a opção do governo agora é fazer uma economia fiscal maior para não se concretizar um cenário de descompasso entre oferta e demanda na economia. “Por motivos macroeconômicos, não foi possível continuar com a política ambiental”, disse Barbosa.

Para o secretário, as mudanças no IPI revelam uma tendência que deve se consolidar nos próximos anos. “O fato de se retirar o benefício agora reflete a conjuntura deste ano, a situação de o governo ter decidido por uma recuperação mais rápida do resultado fiscal”, disse Barbosa. “Não quer dizer que essa política não pode voltar no futuro próximo. Acho que volta”, acrescentou.

Para ele, apesar de temporário, o uso dos incentivos tributários para fomentar desenvolvimento com responsabilidade ambiental foi uma iniciativa inédita para os tributos cobrados pela Receita Federal, que marcou uma mudança no padrão de decisão do governo federal. “Pela primeira vez, adicionou-se um aspecto ambiental a uma ação de curto prazo.”

“Havendo espaço fiscal, a questão ambiental vai ganhar importância”, disse Barbosa, lembrando que o IPI é um tributo vinculado à “essencialidade” dos produtos (quanto mais supérfluo, maior a alíquota do imposto) e sua utilização na área ambiental revela que o tema está se tornando prioridade para as políticas públicas.

IMPACTO GLOBAL - O secretário também ressaltou que os estudos em curso para definir a interlocução entre as políticas econômica e ambiental, apesar de serem focados no mercado automotivo, têm uma importância mais ampla. Ele ressaltou que o assunto envolve mudanças importantes na estrutura da economia, especialmente em relação à matriz energética. Barbosa disse que mudanças desse nível mexem com a geografia política do mundo.

Segundo ele, os estudos sobre o tema devem levar em conta ainda que o crescimento do mercado de energia limpa abre novas frentes de investimento e, portanto, são um estímulo ao crescimento mais rápido. Por isso, o governo faz um mapeamento das tendências e alternativas nessa área para poder recomendar o uso de incentivos adequados para combinar um maior crescimento econômico com responsabilidade ambiental.

O secretário-adjunto de Política Econômica, Dyogo Oliveira, destacou que nos estudos do governo para o setor automotivo estão sendo focados três eixos de discussão: emissão-eficiência, tecnologia, competitividade. “Esperamos deixar um bom mapeamento para a próxima administração”, disse Oliveira.

EUA vão suspender incentivo a setor automotivo

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Detroit - O governo norte-americano informou que suspenderá o programa incentivo à troca de carros velhos por novos na segunda-feira, conforme a verba de 3 bilhões de dólares se esgota, um mês depois do lançamento da iniciativa.

O programa, que oferece até 4.500 dólares para pessoas que quiserem trocar carros velhos por modelos mais novos e eficientes, terminará em 24 de agosto, quando todas as requisições de descontos devem ser submetidas a Washington.

O governo forneceu um grande incentivo temporário tanto para indústria automotiva como para a economia norte-americana. Nas últimas semanas, a Ford Motor e a General Motors aumentaram a produção, já que alguns modelos estavam com a oferta apertada.

Contudo, a natureza temporária da iniciativa provavelmente deve levantar preocupações com a possibilidade das vendas despencarem novamente.

“Nós temos visto um enorme sucesso da noite para o dia, tanto que chegamos ao ponto de ter que encerrar este programa”, afirmou uma autoridade administrativa nesta quinta-feira, que pediu para não ser identificada. “O objetivo agora é fornecer um pouso suave às concessionárias e aos consumidores e garantir que o programa acabe de forma bem sucedida”, disse a fonte a repórteres.

O Departamento de Transportes informou que julgou que sobraria capital suficiente para continuar aceitando requisições até o prazo de segunda-feira, baseado em estimativas conservadoras de transações válidas.

O anúncio surge um dia após um grupo que representa cerca de 20 mil concessionárias de carros novos nos Estados Unidos ter alertado que os lojistas que aceitarem vendas adicionais enfrentam risco crescente de não serem ressarcidos pelos descontos concedidos a consumidores.

Até quinta-feira, as concessionárias submeteram pedidos à Washington para quase 457 mil cheques, totalizando 1,9 bilhão de dólares, dos quais pouco menos de 40% foram examinados, segundo o Departamento de Transporte.

O governo pagou cerca de 145 milhões de dólares às concessionárias.

A GM informou que as vendas na duas últimas semanas excederam dua projeção interna em mais de 60 mil veículos, impulsionadas principalmente pelo incentivo do governo.

As vendas de veículos no varejo dos Estados Unidos em agosto devem superar 1 milhão de unidades pela primeira vez nos últimos 12 meses, incentivadas pelos descontos, informou a consultoria J.D. Power & Associates.

“A melhora da confiança do consumidor e a disponibilidade de crédito durante os últimos seis meses se juntaram ao programa (de descontos) para tirar as vendas da indústria dos baixos níveis vistos até agora”, afirmou Gary Dilts, vice-presidente sênior da J.D. Power.




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