
Taxas para compra de carros novos estão em baixa (Foto: Divulgação)
Pagar 23,4% de juros anuais no financiamento de um automóvel não é exatamente uma pechincha. Mas trata-se da menor taxa cobrada por bancos e financeiras nos últimos 12 meses, informa o relatório do Banco Central (BC).
Na ponta do lápis, isso significa que, agora, o consumidor que fizer um financiamento de R$ 20 mil vai gastar em média R$ 4.680 ao ano só com os juros. O cenário já foi pior. Em agosto do ano passado, o custo do crédito para um empréstimo do mesmo valor era de R$ 5.240 - ou R$ 560 a mais.
Além dos juros mais baixos, o consumidor encontra no mercado uma outra facilidade na hora de comprar o carro: os prazos longos. De acordo com o BC, o tempo médio de financiamento registrado nos contratos do mês de agosto foi o maior dos últimos doze meses. Chegou a 550 dias.
Para completar, os preços dos automóveis também estão bastante convidativos. Hoje são ofertados vários modelos 2011 de carros zero-quilômetro com preços iguais ou até 5% menores que os praticados no mesmo período do ano passado, quando vigorava o corte parcial do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
As barganhas, bancadas pelos descontos dados por montadoras, servem para desovar o estoque das fabricantes - que estão produzindo a plena carga.
Em resumo: os especialistas afirmam que o momento é muito bom para comprar um carro. E muita gente já percebeu isso. Agosto foi o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira, com vendas de 312,8 mil veículos novos, incluindo caminhões e ônibus.
Só ficou atrás de março, último mês de redução do IPI, com 353,7 mil unidades. No ano, o saldo também é recorde, com 2,194 milhões de veículos vendidos, alta de 10% ante igual período de 2009. A expectativa é que as vendas continuem em alta, já que o cenário deve se manter favorável aos compradores.
“O aumento do emprego formal, as perspectivas de que a economia deve continuar crescendo nos próximos anos, a redução da inadimplência e a normalização do cenário externo são alguns dos fatores que explicam a queda dos juros e o alongamento dos prazos”, analisa Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e coordenador de uma pesquisa sobre juros. “Por isso, ainda que a taxa básica de juros (Selic) tenha subido, o crédito ao consumidor final não ficou mais caro”, diz Oliveira.
O aumento da concorrência entre bancos e financeiras é outra justificativa para as boas condições de crédito vigentes. “Há uma disputa brutal pelo cliente que quer financiar um automóvel, pois trata-se de um crédito sem risco, já que a garantia é o próprio veículo”, afirma Ayrton Fontes, economista da agência de varejo automotivo MSantos. “Como os valores dos automóveis estão próximos ao preço de custo, o lucro das empresas vêm, em grande parte, do próprio crédito. Por isso elas têm cada vez mais interesse em emprestar o dinheiro.”
Os especialistas afirmam que os juros podem até cair um pouco mais. A redução, porém, não deve ser tão significativa. “O movimento de baixa dos juros já está perto de se esgotar”, avalia Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian. “Mas as taxas também não devem subir.”
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