Em virtude da estabilidade econômica, redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) e principalmente do grande volume de veículos financiados, a indústria automobilística vem produzindo resultados expressivos nos últimos anos. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores) somente em São Paulo são mais de seis milhões de veículos circulando. Atrás desses bons resultados se esconde um grande problema que afeta cada vez mais o nosso trânsito, não só pelo volume, mas agora pelo aumento de veículos quebrados nas ruas e avenidas da cidade.
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Diariamente nos deparamos com guinchos rebocando veículos, aliás, alguns rebocando até dois de uma só vez, complicando ainda mais a tarefa da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O volume de quebra vem aumentando tanto que as pessoas estão começando a achar normal chamar a companhia de seguro, fato esse que ocorria somente quando éramos vítimas de colisões.

Carros quebrados nas ruas de São Paulo. De acordo com colunista, falta revisão preventiva (Foto: Filipe Araújo/ AE - Arquivo)
A pergunta é: porque tantos veículos quebram diariamente? A resposta é muito simples, as pessoas estão deixando de fazer as revisões preventivas, e isso acaba ocasionando quebras inesperadas, causando transtorno ao trânsito e ao próprio motorista. Em um primeiro momento, o que se percebe consultando as oficinas é que as pessoas estão com um grau de endividamento muito grande e acabam deixando de fazer as revisões preventivas. Esta situação é fruto de um financiamento mal planejado, a famosa compra por impulso.
Alguns especialistas já haviam alertado para o problema há três anos, momento em que se iniciou a oferta de financiamento em até 70 meses. Na ocasião, comprar um carro era muito fácil, bastava verificar se a prestação cabia no bolso, os anúncios estampavam no jornal, na TV e em revistas a possibilidade de realizar o grande sonho de muitos brasileiros: comprar um carro zero. Campanhas de marketing premiadas camuflavam uma grande arapuca que, infelizmente, passou despercebida pela grande maioria das pessoas que optaram pelo financiamento a perder de vista.
A conta é a seguinte, apos três anos seu carro valerá 70% do valor de um carro zero, porém, se somarmos os valores das prestações restantes perceberemos que ainda faltará aproximadamente o valor de mais um carro zero. De forma mais simplificada podemos dizer que em um financiamento de 70 meses pagamos aproximadamente por dois veículos e no meio do caminho falta dinheiro para fazer as manutenções preventivas.
Após três anos um veículo precisa fazer diversos reparos constantes do manual do proprietário tais como, verificação das correias, bateria, sistema de arrefecimento, freio e suspensão. A falta de manutenção desses itens, além de deixar o motorista na mão, poderá colocar em risco a segurança de seus ocupantes.
Por isso, preste bastante atenção antes de comprar um veículo financiado, não esqueça que seu carro precisará de manutenção.
* É engenheiro mecânico e colunista do ZAP Carros.
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