“O brasileiro é o consumidor mais exigente do mundo”, disse Luis Curi, CEO da Chery no Brasil, durante a apresentação do novo compacto da marca chinesa em Itu, São Paulo. No entanto, o Chery Face ainda peca no acabamento e no desempenho. O preço (R$ 31.900) é um dos poucos pontos fortes da grande aposta da marca no País, já que os líderes em vendas na categoria - Volkswagen Fox, seguido por Ford Fiesta, Chevrolet Agile e Renault Sandero - incluindo os itens oferecidos pela Chery, podem custar aproximadamente R$ 45 mil.

Chery Face não esconde o DNA de carro chinês (Fotos: Divulgação)
Apesar de desenvolvido pelo renomado estúdio italiano Bertoni, o Chery Face não escondeu seu DNA de carro chinês. Considerado hatch compacto, ele poderia muito bem ser chamado de mini monovolume, devido à mistura de visual minivan e dimensões acanhadas.
Os faróis dianteiros são grandes e o capô não apresenta vincos marcantes. A lateral também é lisa, com apenas um friso inferior digno de menção. A traseira, também sem traços marcantes, destaca-se pelas lanternas avantajadas. No teto, para dar impressão de porte superior, barras longitudinais.

Acabamento sem capricho (Foto: Verônica Lima)
Internamente, o acabamento do terceiro lançamento da marca chinesa no Brasil ainda deixa a desejar em alguns pontos. O tecido que reveste o painel das portas e parte dos bancos sugere qualidade inferior. Algumas peças plásticas apresentam encaixes desajustados. Falta o capricho encontrado nos veículos de marcas tradicionais como Ford, GM e Volks.
A posição de dirigir é elevada. Seria agradável se não fosse o banco do motorista estreito e apertado. Atrás, o Face leva apenas dois passageiros. Três seria um exagero devido a largura acanhada. As pernas, por sua vez, viajam numa boa. Ponto para o chinês!

Posição de dirigir é elevada
Rodando, o Chery Face deixa a desejar. O motor 1.3 16V é fraco nas arrancadas e retomadas. O torque de 11,4 mkgf entre 3.500 rpm a 4.500 rpm parece pouco para os 1.415 quilos. E os 84 cv são insuficientes para garantir bom desempenho. Com dificuldades atingimos os 80 km/h - destaque negativo para barulho elevado dentro da cabine.
O câmbio de cinco velocidades tem bons engates, apesar de duros. Os freios merecem atenção especial. O pedal é fundo e desconfortável. Já a suspensão é dura e pouco confortável.

Traseira não apresenta traços marcantes
O Face tem excelente custo-benefício. Pode - e deve - conquistar compradores por isso. Mas como automóvel, ainda falta melhorar muito em muitas coisas. Conjunto mecânico principalmente.
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