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Governo deve mudar incentivo a carro

Categorias: Redução de IPI, TODAS AS NOTÍCIAS, mercado

O governo deve desistir de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros conforme previsto na nova política industrial, Brasil Maior. O problema é a resistência das montadoras a se comprometerem com contrapartidas efetivas de inovação, agregação de conteúdo local e eficiência energética.

A proposta agora é elevar o IPI de carros que não se enquadrarem nas regras do novo regime automotivo, que está sendo desenhado pelo governo e pelo setor privado. A medida funcionaria como proteção e atingiria em cheio os modelos importados.

Em medida provisória publicada pela Receita Federal sobre o Brasil Maior, o governo previa reduzir o IPI para as montadoras até julho de 2016, desde que fossem obedecidas contrapartidas.

Redução do IPI para as montadoras deve dar lugar à elevação do imposto para automóveis que não se enquadrarem nas novas regras (Foto: Robson Fernandjes/AE: 8/11/2006)

Redução do IPI para as montadoras deve dar lugar à elevação do imposto para automóveis que não se enquadrarem nas novas regras (Foto: Robson Fernandjes/AE: 8/11/2006)

O setor já havia sido beneficiado com redução de IPI para estimular a demanda na crise de 2008. A alíquota de IPI hoje varia conforme a potência dos carros: 7% para modelos populares, 13% a 15% para potência 1.0 a 2.0, e 25% para veículos acima de 2.0. Ainda não está definida de quanto seria a elevação do imposto.

Segundo uma alta fonte do governo federal, a administração Dilma está desistindo de reduzir o IPI porque as montadoras se recusam a assumir contrapartidas. Estão em discussão: estabelecer um porcentual do faturamento a ser investido em pesquisa e tecnologia; definir um índice de peças nacionais para os modelos de carros; fixar uma meta de eficiência energética.

Há um racha dentro do setor automotivo. Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford preferem um regime restritivo, porque estão há bastante tempo no País e já utilizam mais de 90% de peças locais nos modelos mais vendidos. Já montadoras como Toyota, Citroën, Renault ou Nissan importam mais peças e querem um regime mais brando. Outro ponto que incomoda o governo é que as montadoras se recusam a repassar uma eventual redução de IPI para o consumidor, como ocorreu na crise. “Se não repassarem, servirá apenas para elevar a margem de lucro”, diz a fonte.

As montadoras argumentam que a desoneração visa a melhorar a competitividade, e não aumentar o consumo. Segundo um executivo do setor automotivo, as montadoras ainda lutam para convencer o governo a reduzir o IPI, em vez de elevar o imposto para quem ficar de fora. As empresas argumentam que mais imposto eleva a proteção, mas não aumenta a competitividade para fabricar no Brasil. Procurada, a Anfavea (que reúne as montadoras) não se manifestou.

CHINA - Montadoras e governo só estão de acordo sobre o principal alvo da medida: os carros chineses. Mesmo que construam fábricas no País, como anunciaram, as marcas chinesas dificilmente vão agregar peças locais suficientes para se enquadrarem no novo regime automotivo.

Uma fonte do setor de autopeças diz que o governo precisa arbitrar as diferenças e estabelecer uma exigência alta de conteúdo local. O pior cenário para as autopeças é a instalação de fábricas chinesas que disputem o mercado local e reduzam a utilização de peças brasileiras na frota.

 

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3 comentários sobre “Governo deve mudar incentivo a carro”
  • Wilson disse:    ( 08.09.2011 às 13:37 )

    As grandes montadoras querem redu??o de impostos mas sem nenhuma contrapartida e como se n?o bastasse manter o cartel instalado dificultando a importa??o de ve?culos mesmo que chineses (qualidade duvidosa) que j? esta trazendo mudan?as na economia automotiva.
    Pergunto as grandes montadoras, a vida de um brasileiro vale menos que a de um Americano ou Europeu pois o que o consumidor com uma medida de incentivo como esta seria veiculos mais seguros e modernos pois do jeito que o mercado se encontra v?o oferecer o volante e as rodas como opcional pago a parte…


  • Osvaldo Carneiro Filho disse:    ( 08.09.2011 às 12:48 )

    N?o sou a favor que o governo reduza o IPI p/a ind?stria automobilistica.N?o haver? retorno aos consumidores. Vide o que acontece com os carros de motor 1.0,cuja redu??o de IPI n?o trouxe avan?os t?cnol?gicos.S?o motores apenas adaptados, oriundos de motores de maior volume sem constru??o espec?fica, tecnologia obsoleta e consumo em alguns casos maior do que os mais potentes.Se a Volkswagen vende mais carros aqui,do que na Alemanha,pq os carros feitos no Brasil possuem tecnologia inferior.


  • Jos? Paulo de Vasconcellos disse:    ( 07.09.2011 às 17:38 )

    As montadoras t?m “gordura” de sobra para queimar. Se n?o acreditam, verifiquem os pre?os “reduzido” pela diminui??o de impostos, que valiam at? fim do ano passado e os pre?os, dos mesmos modelos (com melhorias) atuais.


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