Fugir dos juros altos dá trabalho. Para a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), cabe ao consumidor dedicar mais tempo à compra do veículo e pesquisar bastante antes de fechar o negócio.
? Não conseguimos controlar as taxas. Por isso, é importante que, após escolher o veículo, o comprador percorra lojas e compare não só os preços, mas também os juros ? afirma Luiz Horácio Montenegro, presidente da Anef.
Para financiamentos de longo prazo, as taxas mais praticadas hoje ficam entre 1,3% e 1,4%, que equivaleriam, na média, aos fatores R-4 ou R-5. Acostumado com juros que até pouco tempo superavam a casa dos 2% ao mês, o consumidor não reclama, e as vendas a prazo se multiplicam. Há quem empurre um Fator R maior e encontre comprador.
Hoje, segundo dados da Anef, 71% dos carros novos que saem das lojas são financiados. O valor liberado pelas instituições financeiras para parcelamento de veículos cresceu 24,3% em relação ao mesmo período em 2006.
As melhores taxas são encontradas nos planos com entrada superior a 60% do valor do bem. É possível também encontrar financiamentos sem juros, mas, em ambos os casos, não há milagres: além da entrada elevada, os prazos são curtos (de, no máximo, 24 meses) e a margem de negociação é estreita ou inexistente.
Há dois tipos de planos: o crédito direto ao consumidor (CDC) e o leasing, ou arrendamento mercantil. Geralmente, a segunda modalidade oferece as melhores taxas. O veículo fica no nome da financeira, e o comprador entra como arrendatário. Como no CDC, as parcelas são fixas e não há valor residual, mas o cliente tem menores descontos caso queira antecipar a quitação das parcelas.
Para a Anef, uma solução para disciplinar a cobrança de juros é a criação de um cadastro de crédito que beneficie os bons pagadores, chamado de ?bureau de crédito positivo?.
? Essa prática já existe em outros países, e esperamos que chegue logo ao Brasil. Os clientes que pagam em dia seus financiamentos recebem benefícios como redução de taxas ao adquirir outro bem ? diz Luiz Montenegro.
Pequenas variações na taxa, grandes diferenças no orçamento
Valor financiado Taxa de juros N de parcelas Valor da parcela Valor final
R$ 30 mil 0,99% (R-zero) 60 R$ 714 R$ 42.840
R$ 30 mil 1,3% (R-4) 60 R$ 749 R$ 44.940
R$ 30 mil 1,89% (R-12) 60 R$ 871 R$ 52.260