home do ZAP Carros | Carros Usados, Novos e Seminovos

Seguro de carro nem sempre informa o que fica de fora

Categorias: Cuide de seu carro, TODAS AS NOTÍCIAS

As seguradoras brasileiras deixam a desejar quando o assunto é a cobertura nas apólices de automóveis. A conclusão está em estudo da Proteste, organização privada de defesa do consumidor, que pesquisou os produtos desta modalidade oferecidos por 12 seguradoras que atuam no País.

O levantamento, publicado na edição de outubro da revista institucional da Proteste, avaliou sete itens das apólices de seguros de automóveis oferecidos pelas companhias e quando o tema são as negativas de cobertura, isto é, as exclusões, nenhuma empresa obteve conceito maior que regular. Entre as 12 analisadas, cinco obtiveram conceito ?regular? e sete, ?ruim?.

Gisele Rodrigues, técnica da Proteste, afirma que, embora a avaliação geral seja boa, problemas relacionados a exclusões são particularmente preocupantes porque representam desvantagem para o consumidor.

Ela explica que houve casos de negativas de cobertura de reparos por conta de pintura arranhada ou pneus gastos. ?Muitas vezes os consumidores só percebem que foram mal informados quando precisam do serviço?, afirma.

A técnica da Proteste observa que a melhor maneira de evitar dissabores futuros é realizar uma boa pesquisa entre as ofertas à disposição no mercado. Ela recomenda que antes de fechar o negócio é preciso entrar em contato com as seguradoras e verificar as condições de cada produto. ?Além dos preços é preciso ter claras as normas de exclusão e a abrangência territorial?, afirma.

Josué Rios, advogado especializado em direito do consumidor e consultor do Jornal da Tarde, acredita que as listas de exclusão dos contratos de seguros, inclusive de automóveis, têm ocorrências em excesso. Rios afirma que já teve acesso a contratos que excluíam, entre outras situações, cobertura por danos causados pelo tráfego em terreno arenoso ou mesmo em estradas que forçassem demais as estruturas do veículo.

DISSONÂNCIA COM O CDC - Na opinião do advogado, falta as companhias moldarem seus produtos às exigências do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele concorda que as seguradoras tenham a palavra final sobre o que oferecer ao mercado, mas pondera que o CDC considera nulos pontos contratuais que possam prejudicar os consumidores. ?Isso significa que se a exclusão vai criar problemas ao segurado, tem de ser descartada?, afirma.

Rios recomenda aos consumidores que não escolham um seguro, seja qual for a modalidade, antes de consultar um corretor de confiança. ?Eles conhecem melhor o produto, e precisam mais dos clientes que as próprias seguradoras?, diz. Para encontrar um profissional de confiança, Rios recomenda a troca de informações com conhecidos.

O porteiro Antonio Estefano Filho, 44 anos, afirma que teve problemas com a seguradora da qual é cliente. Estefano conta que em agosto levou seu carro a uma oficina por conta de colisão e dias depois recebeu o carro novamente, mas com avarias que não existiam quando deixou o veículo para conserto. ?Queimaram o alarme e soltaram o cilindro de gás?, diz. O prejuízo, segundo Estefano, chegou a R$ 944. ?Me devolveram R$ 574, falta o restante?, diz.

AS SEGURADORAS - Jabes Alexandre, vice-presidente da Unidade de Automóveis da Mapfre Seguros, diz que danos em pneus muitas vezes não são cobertos por conta do desgaste natural do item. Segundo ele, a Mapfre tirou das exclusões por vandalismo - danos provocados de forma intencional - eventuais riscos na pintura. Ele afirma que as exclusões adotadas pelo mercado são uma forma de preservar o setor de ocorrências mal explicadas.

A Liberty Seguros informou, em nota, que ?para o caso de exclusão, oferece a opção de contratação de coberturas fora do produto padronizado?.

A Zurich Minas Brasil também enviou nota na qual afirma que ?as exclusões previstas em seus contratos de seguro de automóvel estão em sintonia com as práticas de mercado e respeitam a legislação vigente. A empresa também afirmou desconhecer a metodologia utilizada pela Proteste.

A Sul América informou que sempre procura maneiras de melhorar os serviços. Já a Bradesco Seguros não quis comentar o resultado da pesquisa da Proteste.

MESMO SEGURO PODE TER PREÇOS DIFERENTES - O levantamento da Proteste também traz dados sobre preços de seguros e, surpresa: para um mesmo perfil de usuário, inclusive mesmo modelo de automóvel e local de residência, os valores podem variar mais de 340%. A diferença foi constatada para o seguro de um Uno Mille ELX 1994, cuja condutora seja uma mulher, que resida no bairro do Morumbi, zona sul da capital, e tenha dez anos de habilitação. De acordo com a constatação da Proteste, o produto mais barato foi encontrado a R$ 877,82 e o mais caro, a R$ 3.874,61.

Segundo Francisco D?Orto, coordenador do curso de MBA em Seguridade da Trevisan Escola de Negócios, a diferença expressiva de preços para um mesmo perfil de consumidor é explicada pelas diferentes variáveis que influem na definição dos valores praticados pelas empresas.

D?Orto afirma que o perfil do usuário é apenas um aspecto levado em conta. Outro ponto que pesa na definição é o valor de mercado para reposição dos bens quando for o caso.

O professor da Trevisan observa que há ainda detalhes de ordem operacional que influem nos preços. Ele afirma que se uma companhia estiver satisfeita com a carteira de veículos segurados, seja por objetivo de atingir outros segmentos do mercado ou por necessidade de resguardar a reserva técnica que precisa manter para garantir os contratos, irá manipular os preços de maneira a desestimular este ou aquele produto. ?Quando isso acontece, a empresa passa a praticar preços maiores propositalmente?, afirma.

Ele também destaca que há companhias que preferem operar por meio de corretores. Assim, deixa os preços da tabela mais altos para negócios diretos e oferece preços melhores aos corretores para que estes operem um maior volume de negócios.

D?Orto também recomenda que antes de fecharem contratos os consumidores pesquisem as melhores ofertas e verifiquem todos os itens contratuais a fim de evitar problemas quando necessitarem utilizar o produto. ?Há muitas ofertas, basta pesquisar?.

 

LEIA MAIS:

Seguradoras não poderão impor oficinas para conserto

Esclareça suas dúvidas sobre o seguro do carro

Um comentário sobre “Seguro de carro nem sempre informa o que fica de fora”
  • Seguradora BH disse:    ( 14.03.2012 às 23:59 )

    Seguro s? ? feito pelo corretor de seguros, pois s?o os intermedi?rios legais para realizaram a contrata??o do seguro. Em canais como bancos, as ag?ncias tem uma corretora. Se a pessoa chega na seguradora para comprar um seguro, a seguradora indica um corretor.


Deixe um comentário



Copyright © 2013 ZAP.
Todos os direitos reservados. v2.0