
Volkswagen Amarok é a primeira cabine dupla da empresa
A Volkswagen faz sua estreia no mundo das picapes com cabine dupla em grande estilo. Depois de cinco anos de desenvolvimento, a Amarok começa a ser vendida no Brasil em abril, mas chega um mês antes em alguns países, como a Argentina, local em que é produzida. O ZAP foi ao país do tango ver de perto a novata e conhecer suas habilidades. O veredicto é um recado para Hilux, Triton e Frontier: preparem-se para o ataque, pois não se trata de um carrinho qualquer.
As três japonesas serão as principais rivais do modelo alemão, inclusive em preço. Embora a Volks não tenha divulgado o valor do carrão, deve ficar na faixa dos R$ 110 mil a R$ 130 mil. Por ora, apenas uma versão de acabamento será oferecida, a Highline, topo de linha. A ideia é mostrar toda a força do produto e, ainda em 2010, apresentar configurações menos equipadas. Por ora, só veremos a Amarok 2.0 diesel com transmissão manual.

Lançamento mundial da VW chega ao país em abril
Ao entrar na cabine, a primeira impressão é a de estar a bordo de um veículo de passeio. A posição de dirigir, painel e assentos são muito próximos ao de um carro pequeno, com a vantagem de poder enxergar o mundo de cima. O mesmo vale para a dirigibilidade. A Amarok é estável, transmite confiança nas curvas, freia bem e garante acelerações vigorosas.
Aparentemente, o modelo tem armas para agradar usuários de dois mundos: os picapeiros e aqueles que estão acostumados a automóveis menores. O câmbio é preciso, macio, e a alavanca curta agiliza as trocas de marcha. Não há aquela vibração incômoda característica de veículos dotados de propulsor diesel. Os pneus de uso misto (70%/30%) na medida 255/60R18 revelam dois compromissos distintos, mas ambos percorridos com extrema eficiência.

No asfalto, não são excessivamente ruidosos, nem moles demais - o que tiraria a precisão da direção. Aliás, os comandos do volante são diretos, ao contrário de picapes tradicionais, como a Chevrolet S10 ou Ford Ranger, que exigem mais voltas para a mesma manobra. Na terra, tracionam com competência em pisos soltos e em aclives pesados. Durante a avaliação, foi possível encarar subidas de 45 graus e descidas com solo arenoso sem dificuldades.
A Amarok tem recursos de sobra para não deixar aventureiros na mão, mas também oferece uma longa lista de equipamentos para não desapontar os que preferem não sair do asfalto. O volante é pequeno, tem regulagem de altura e profundidade, e a direção é extremamente direta. Assim, é fácil manobrar em espaços apertados e fugir de roubadas por conta do torque de 44,37 kgfm a partir dos 1.500 giros. Para enfrentar o trânsito, há ar-condicionado digital, regulagem de altura dos assentos, bancos de couro e uma série de ajustes eletrônicos.

Picape tem grande capacidade de enfrentar terrenos acidentados
Quem está acostumado a viajar no banco de trás irá se impressionar com o espaço disponível para as pernas e inclinação dos encostos. Neste quesito, a picape é a melhor da categoria. A Nissan Frontier também é competente neste ponto. Pior para Hilux e L200.
Nos primeiros quilômetros dirigindo a Amarok, olhei com desconfiança o desempenho do pequeno bloco 2.0 do propulsor biturbo de 163 cavalos. Só para comparar, a Toyota utiliza um trem de força 3.0 capaz de gerar números equivalentes. Para minha surpresa, atrás do volante a picape alemã anda tão bem quanto a nipônica. O segredo está nas tecnologias embutidas, como injeção direta de combustível, quatro válvulas por cilindro e uso de duas turbinas. O escalonamento de marchas da transmissão manual de seis velocidades é um dos destaques. Em uso urbano, basta engatar a terceira e esquecer o câmbio. A Amarok se comporta como se fosse um veículo automático.

No painel, o computador de bordo indica ao condutor a marcha ideal para obter os melhores números de consumo, mostrando o momento certo de efetuar as trocas. A sugestão também ajuda a diminuir a emissão de poluentes e o nível de ruído. Tanto a 5ª quanto a 6ª são overdrives. Quer dizer que não há muito torque disponível, mas potência suficiente para manter a velocidade de cruzeiro nas estradas, mantendo o giro do motor o mais baixo possível. Isso torna as viagens ainda mais confortáveis.
A velocidade máxima é limitada a 181 km/h, no modo 4×2, e é possível engatar a tração nas quatro rodas a até 100 km/h. Para usar a reduzida, a picape precisa estar parada.

Interior é confortável como um sedã. Há diversos componentes herdados de outros modelos da linha, como puxadores das portas e botões
Entre as tecnologias mais interessantes está o ABS Plus, uma funcionalidade do sistema antitravamento dos freios específico para uso off-road. É comum que freios ABS funcionem pior em pisos soltos, aumentando a distância de frenagem. O sistema altera a programação do software do ABS da Amarok, permitindo curtos travamentos das rodas. O conceito é criar um pequeno acúmulo de solo à frente dos pneus para reduzir o espaço necessário para parar o carro.
O Hill Start Assist mantém os freios acionados em aclives ou declives por três segundos depois de o motorista tirar o pé do pedal, facilitando as saídas, sobretudo na terra. Há também bloqueio eletrônico do diferencial, que funciona automaticamente ou por comando do piloto.

A Volkswagen já anunciou que ainda este ano, novas versões serão oferecidas. A fábrica planeja trazer um motor bicombustível e também a Amarok cabine simples, com maior capacidade de carga. A cabine dupla estreante pode carregar até 1.047 kg.
* o jornalista viajou a convite da Volkswagen