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Faturamento das empresas cai 3,1% por causa da crise

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A crise internacional já prejudica o resultado dos micro e pequenos negócios paulistas. No acumulado de janeiro a outubro de 2008, o faturamento das empresas registra queda de 3,1% em relação ao mesmo período ano passado, informou o Sebrae-SP ao Jornal da Tarde.

De acordo com a entidade, as principais quedas ocorreram justamente em setembro e outubro, depois de a crise financeira internacional ter se agravado. Foram os resultados desses dois meses que empurraram o indicador do Sebrae-SP para baixo. Os setores mais afetados foram justamente aqueles que mais dependem do crédito, seja para vender ou para comprar.

Mas se a crise já provocou queda no faturamento das empresas, ao menos ela ainda não foi forte o suficiente para ocasionar um número maior de falências. É o que mostra o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações.

No acumulado de janeiro a novembro de 2008, em comparação com o mesmo período de 2007, o número de falências decretadas apresentou queda de 34%. De acordo com o levantamento, houve 924 falências decretadas até novembro de 2008, enquanto nos 11 meses de 2007 foram decretadas 1.399 falências.

A queda é acompanhada pelas falências requeridas. De janeiro a novembro deste ano foram registrados 2.070 pedidos de falência, ante 2.517 até novembro de 2007, o que representou um recuo de 17,8%. 

45% dos empresários de SP que faliram tentam outra vez

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Quem tem perfil empreendedor não desiste nem mesmo depois de falir. Um levantamento do Sebrae (o serviço de apoio às micro e pequenas empresas) mostra que 45% dos donos de negócios que quebraram no Estado de São Paulo não pararam de tentar: 21% voltaram a abrir uma empresa e 24% passaram a trabalhar como autônomos.

?O esperado seria que a maioria, por estar sem dinheiro, buscasse um emprego?, argumenta Marco Aurélio Bedê, coordenador do Observatório de Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-SP. Mas só 32% deles se tornaram funcionários, informa a pesquisa. ?A natureza empreendedora fala mais alto. Essas pessoas não se adaptam às regras de uma empresa e têm o ímpeto de transformar seus sonhos em realidade, por isso são seus próprios patrões.?

Segundo os especialistas, os empresários não costumam encarar o fechamento de um negócio como um fracasso. Para eles, faz parte do jogo. ?Quem empreende tem como característica lidar o tempo todo com a incerteza e com a experimentação?, avalia Afonso Cozzi, professor de empreendedorismo da Fundação Dom Cabral. ?Os empresários sabem que o risco de quebrar é algo inerente ao negócio. Por isso, a maioria não acha que há demérito na falência.?

Pelo contrário. Ter uma experiência empresarial no currículo (mesmo que malsucedida) é considerado um fator preponderante de sucesso. A pesquisa do Sebrae mostra que, entre negócios que deram certo, 64% eram comandados por empreendedores que já tinham uma história no mercado. Entretanto, o número de chefes experientes cai para 46% quando se trata de empresas que fecharam as portas antes de completar cinco anos.

?Quem faliu já teve a chance de enfrentar, no dia-a-dia, boa parte das dificuldades existentes no mundo dos negócios?, diz Karen Kanaan, diretora de relações institucionais do Instituto Empreender Endeavor. ?Por conta disso, conquistou um conhecimento prático, algo inestimável, que será muito útil caso resolva abrir outra empresa.?

DEVAGAR COM O ANDOR - Mas antes de decidir tentar outra vez, é preciso entender bem quais foram os erros cometidos. ?Não adianta atribuir o fracasso à economia ou ao governo e se eximir de qualquer responsabilidade?, destaca David Kallás, professor de estratégia do Ibmec São Paulo. ?É fundamental fazer uma análise detalhada dos pontos falhos e buscar formas de corrigi-los.?

E novos problemas virão. Ao resolver voltar ao mercado, especialmente se a nova empresa for aberta no mesmo ramo de atividade, o empresário terá de enfrentar as conseqüências dos erros do passado. A credibilidade com clientes e fornecedores pode ter sido perdida. ?Será preciso mostrar porque o negócio novo será diferente do que quebrou?, ensina Kallás. Para ele, a melhor estratégia para reconstruir sua imagem é sempre dizer a verdade.

Cozzi, da Fundação Dom Cabral, acredita que se o empresário sempre teve uma postura ética, a conversa com fornecedores e clientes pode ser mais fácil. ?Ajudaria também se o empresário arrumasse um sócio com boa fama no mercado ou mesmo se recuperasse um grande cliente, capaz de emprestar credibilidade à sua marca.?

Aimar de Paula sabe bem que não é fácil recomeçar. Empreendedor incansável, ele já possui sete negócios no currículo - três faliram, dois foram vendidos e dois (uma pizzaria e uma empresa de eventos) funcionam já há algum tempo a todo vapor. Mas até se estabilizar no ramo de alimentação, ele só conseguia comprar dos fornecedores se pagasse à vista. ?Tive jogo de cintura para recomeçar. Mas sou como um apostador: sempre achei que da próxima vez daria certo. E deu.?

VOLTA POR CIMA - Antes de resolver abrir um novo negócio, identifique quais foram os erros que você teve no passado e procure se preparar para não cometê-los novamente

Ao iniciar uma outra empresa, não esconda o seu passado: admita suas falhas e mostre o que você está fazendo diferente dessa vez para acertar

Tenha sempre uma postura ética com clientes e fornecedores. Isso facilita as negociações e gera credibilidade

Procurar um sócio que tenha boa fama no mercado ou mesmo conquistar um cliente que empreste força à sua marca podem ajudá-lo a se restabelecer com mais facilidade no mercado

MG concentra 80% das férias coletivas e 20% das demissões da Vale

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São Paulo - Em complemento à informação dada hoje, a Vale do Rio Doce informou há pouco que 20% dos 1,3 mil funcionários demitidos pela empresa trabalham nas unidades de Minas Gerais (MG). Lá também estão 80% dos 5,5 mil profissionais que terão férias coletivas.

O restante dos funcionários envolvidos no processo estão distribuídos por todo o mundo, o que inclui outras localidades no Brasil, segundo informações da assessoria de imprensa da companhia.

Poucas semanas atrás, o presidente da companhia, Roger Agnelli, admitiu estar “fazendo ginástica” para manter os empregos em meio à crise internacional. Hoje, a mineradora anunciou demissões e férias coletivas com o objetivo de adequar a empresa à nova realidade de queda na demanda de minério de ferro por parte das siderúrgicas.

Os empregados colocados em férias coletivas paralisarão as atividades de forma escalonada, por 30 dias corridos, até fevereiro de 2009.

Além disso, outros 1,2 mil funcionários foram colocados em treinamento, com vistas a assumir novas funções na companhia.
A empresa informou ainda que não há perspectivas para novos cortes no quadro funcional.

Governo monitora setores empresariais para evitar aumento do desemprego, diz Paulo Bernardo

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Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admitiu nesta quarta-feira que o governo vai tomar medidas para garantir a manutenção do nível de empregos no país no próximo ano e que esta é uma das preocupações centrais do Palácio do Planalto. Segundo o ministro, a equipe econômica está monitorando praticamente todos os setores empresariais para levantar o que deve ser feito para evitar queda na produção. O país, afirmou, não está vivendo um problema de desemprego, mas há a preocupação com a desaceleração da economia e suas consequências. As 2,1 milhões de novas vagas abertas em 2008 não devem se repetir em 2009, mas isso não significa que o volume de empregos não continuará aumentando:
 
- Na verdade, demissão em massa até agora não aconteceu. Como os sinais de possível desaceleração pode indicar possibilidade de redução (do emprego), temos que nos preocupar com isso. Por isso,  o presidente está dizendo que não vamos parar obras, nem investimentos e não vamos interromper nossos programas. Estamos monitorando junto com todos os setores empresariais o que precisa ser feito para que continue rodando a roda da economia. Não temos uma situação grave de emprego. A ordem é: vamos preservar o emprego e a renda, preservar a produção e fazer com que a economia real tenha o menos possível impacto nessa crise.
 
Paulo Bernado adiantou que as conversas são amplas, passando “das montadoras ao setor de produção de adubos, das cooperativas agropecuárias aos setores importadores e exportadoras”.
 
- Dessas conversas sempre surgem ideias onde o governo pode atual  Vamos fazer o que tiver a nossa alcance. Não vamos fazer política irresponsável do ponto de vista fiscal. Manteremos a boa qualidade de nossa política macroeconômica mas o que estiver ao alcance de governo em termos tributários, orçamentários, financeiro, nas políticas de fomento dos bancos públicos, vai ser usado. O governo vai  fazer política anti-cíclica - afirmou o ministro durante o Congresso Mundial de Engenheiros.

Nível de emprego da construção civil é incerto após março de 2009

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São Paulo - O nível de emprego no setor de construção civil, que somava até outubro um estoque de 2,194 milhões de postos no país, pode se sustentar até o primeiro trimestre deste ano, amparado em obras já contratadas de infra-estrutura e de projetos imobiliários. Depois disso, a incerteza vai prevalecer, segundo avaliação do diretor de economia do Sindicato da Indústria de Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan.

Ele comenta ainda que a partir de outubro o setor também passa por um período sazonal de fechamento de vagas, que são retomadas no início do ano. Assim, os dados do bimestre final de 2008 devem confundir um pouco a avaliação do mercado, já que será difícil separar o que é dispensa sazonal do que é reflexo da crise internacional.

Além do fato de dezembro ter poucos dias úteis pelos feriados de Natal e Ano Novo, é preciso levar em conta também o fato de o tempo chuvoso ter aumentado no último mês, o que não favorece as atividades do setor.

Zaidan diz que a sazonalidade do emprego na construção civil não é uma variável constante, o que impede projeções nesse sentido. Até março, no entanto, o executivo acredita que o estoque oscilará pouco. “Não vai cair para 1,8 milhão (de empregos)”, garante.

Para Ana Maria Castelo, da FGV Projetos, as demissões até agora têm se concentrado em áreas administrativas do setor, que têm participação pequena em relação ao contingente dos canteiros de obras. Ela admite, no entanto, que se as decisões de investimento não forem retomadas, o reflexo dessa incerteza certamente recairá sobre a folha de pagamento.

“Eu tenho tido dificuldades ainda de arrumar carpinteiro, mas sei de muitas empresas que reduziram as vagas”, diz Eduardo Zaidan, que atua nesse mercado. “Se a partir do segundo trimestre de 2009 o ambiente não for favorável, deve começar a cair lentamente (o nível de emprego)”, avalia.




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