
(Foto: darktaco / stock.xchng)
Quando questionadas sobre qual fator deve pesar mais na escolha da carreira, todas as profissionais da área de consultoria entrevistadas pelo ZAP responderam sem titubear: a satisfação profissional. Elas concordam que o prazer gera melhores resultados na carreira em um espaço de tempo maior.
De acordo com Adriana Fellipelli, sócia-diretora da Fellipelli Instrumentos de Diagnóstico e Consultoria organizacional, isso não significa que o aspecto financeiro deva ser deixado de lado, e sim que o ideal é o jovem pensar a longo prazo na hora de tomar a decisão. “Se a felicidade pessoal não for considerada um fator prioritário, ao longo do tempo, a vida daquele indivíduo pode se tornar vazia e frustrada.”
Mais do que isso, o jovem que ignora a satisfação pode ter dificuldades em lidar com os problemas recorrentes do trabalho. Afinal, como diz Vera Sylos, diretora da empresa de seleção de executivos Alexander Mann Brasil, “toda profissão tem os seus ””ossos do ofício””, só que, para quem não gosta do que faz, eles incomodam mais que o normal”. Vera ainda explica que, como a pessoa não consegue lidar com os pontos negativos, fica muito irritada, o que pode refletir de forma prejudicial na sua saúde.
Para a diretora, outro problema gerado pela supervalorização do dinheiro é o controle excessivo de agentes externos na vida do jovem. Na visão da profissional, na maioria dos casos é o mercado e aqueles que estão ao redor que ditam o salário necessário para alguém ser bem-sucedido, sendo que, na verdade, o ideal é o cidadão se perguntar “de quanto eu preciso para ser feliz?”. “Às vezes uma pessoa não se importa de viver de aluguel, então ela vai buscar uma remuneração que contemple suas necessidades financeiras.”
QUANDO O PRAZER NÃO É UMA OPÇÃO - Mesmo que a satisfação deva ter maior influência, não são todos que podem optar somente pelo prazer. “Existe o caso em que a pessoa ou sustenta a família ou se banca sozinha e que, por isso, precisa fazer algo que gere remuneração imediata”, conta Meiri Inoue, coach e consultora do Instituto EcoSocial.
Nessas circunstâncias, o conselho da consultora é o indivíduo pensar que está em uma situação temporária e que, depois de trabalhar e reunir uma boa quantia de dinheiro, ele pode investir naquilo que realmente gosta. Já Vera dá outra dica: “a pessoa que, de imediato, não pode fazer aquilo que lhe dá prazer deve buscar uma alternativa para aliar o retorno financeiro a satisfação como profissional. Isso pode ser feito por meio de um curso na área que ela gosta, por exemplo”.
Juliana de Oliveira, instrutora do curso de Assistente Administrativo da S.O.S Educação Profissional, aponta uma sugestão para esse problema e diz que o jovem pode tentar conciliar dois trabalhos ou ainda, dependendo da profissão, tentar a atividade de freelancer. Há também outra alternativa: “Uma opção é tentar achar aspectos positivos na função que desempenha. O trabalhador deve tentar encontrar coisas que gosta naquilo que é rentável”, diz.
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PROFISSÕES DO MOMENTO
Se na moda existe tendências a serem seguidas, no mercado de trabalho não é bem assim. De acordo com Juliana, boa parte dos jovens pesquisa o que está em alta e, então, opta por algo. “Às vezes ele não gosta ou não tem o perfil daquela profissão, mas mesmo assim a escolhe porque está pensando no aspecto financeiro.”
Para evitar esse tipo de comportamento, a consultora Meiri recomenda que a pessoa passe por um processo de autoconhecimento e identifique suas habilidades a fim de analisar em qual trabalho poderá aplicar suas competências. “Quando o jovem sabe no que é bom escolhe uma profissão na qual sabe que terá um bom desempenho. E esse desempenho gera não só uma satisfação pessoal, mas dá retorno financeiro.”
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