Em tempos de crise, a rotina das organizações é permeada por incertezas, oriundas da avalanche de mudanças esperadas e necessárias para manter a competitividade, o que requer maior habilidade e agilidade das pessoas para adaptar-se. O gestor de pessoas recebe o dobro das pressões, tendo então como responsabilidade equilibrar as pressões advindas do ambiente externo e interno das organizações, bem como as suas necessidades e expectativas e as das pessoas de suas equipes.
Neste contexto, observa-se que uma das competências necessárias para as pessoas nas organizações é a habilidade de administrar a si próprio diante das adversidades. Essa necessidade de adaptar e equilibrar-se exige das pessoas resiliência, que é a capacidade de se adaptar às mudanças e de ter rápida recuperação.
No ambiente de trabalho, resiliência é a capacidade de o indivíduo enfrentar adversidades, ser transformado por elas e superá-las. O foco não deve estar na adversidade, e sim na capacidade da equipe em superá-la.
A resiliência pode ser observada no comportamento de pessoas, por meio de cinco características: positivas (veem oportunidades no perigo e imaginam situações de sucesso em vez de fracasso); focadas (concentram-se nas metas a ser atingidas); flexíveis (consideram outras alternativas que também podem levá-las ao mesmo fim); organizadas (definem uma estrutura diante do caos e sabem definir prioridades); e proativas (possuem iniciativa).
Na crise, é imprescindível à liderança identificar as diferenças pessoais de sua equipe. Assim, poderá valorizar as atitudes dos que possuem facilidade e disposição para enfrentar os desafios organizacionais.
Mas é essencial entender o comportamento e a maneira de atuar dos que têm dificuldade de enxergar de forma positiva os momentos de pressão, auxiliando-os no desenvolvimento de comportamentos que possam assegurar o equilíbrio entre as pressões organizacionais e internas. Ao identificar características de adversidade provenientes das pressões cotidianas dentro das organizações é possível adotar o que é conhecido na Psicologia Positiva como estratégias protetoras. Eleas consistem na criação de programas de capacitação e desenvolvimento dentro da organização que permitem o aprendizado, o amadurecimento e a evolução da liderança.
Considerando que é inerente do ser humano ser flexível e persistente, acredita-se que é possível promover condições para que as pessoas construam comportamentos mais resilientes. Para que as organizações superem seus momentos de crise e incertezas econômicas, é imprescindível o apoio da liderança e colaboradores que possuem características resilientes.
A pressão, os conflitos e as incertezas são fatores presentes no mundo corporativo. Quando as pessoas, gestoras ou não, conseguem aproveitar consequências desses fatores como possibilidades de aprendizado e desenvolvimento individual, elas estão preparadas para lidar com as mudanças. Dessa forma, também são capazes de enfatizar o autodesenvolvimento e favorecer o crescimento organizacional.
Saber identificar caminhos que permitam aproveitar os momentos instáveis para transformá-los em oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal e organizacional é uma das competências mais importantes da liderança e, consequentemente, uma tarefa fundamental ao campo da gestão de pessoas.
*Edna Rodrigues Bedani é gerente de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Accor Services