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Quando e por que fazer mestrado

Categorias: CANAL RH

A falta de tempo, desencadeada por jornadas de trabalhos cada vez mais longas, é uma das principais razões que afastam executivos de cursos de formação mais densos, como mestrados e doutorados. E é em razão disso que os cursos de MBA, cuja duração é menor e a carga horária mais flexível, se tornam cada vez mais populares entre esse público. No entanto, segundo apontam alguns especialistas, há ocasiões em que possuir um conhecimento mais aprofundado sobre um assunto específico pode fazer a diferença.

?É o caso dos executivos que atuam em áreas extremamente técnicas?, aponta a consultora da DBM, Irene Azevedo. Segundo ela, para esses profissionais um mestrado pode dar mais suporte para que ele atue de forma estratégica que um MBA, cuja intenção é dar ao executivo uma visão mais empírica no que tange a gestão de um negócio.

Segundo a diretora executiva da Zag Work Consultoria em RH, Monica Zamijovsky, as áreas que mais se enquadram dentro desse contexto são a jurídica, financeira e, agora mais recentemente as de ciências biológicas, em razão do aumento da demanda por projetos de sustentabilidade ambiental dentro das organizações. ?Tenho visto exemplos de pessoas que se tornaram mestres em Biologia há algum tempo e agora estão sendo altamente demandados para esses projetos?. Monica destaca ainda que o setor financeiro é onde mais se encontram esses casos. ?Nessa área as pessoas que se formam Mestres e Doutores tornam-se aptos para atuarem como analistas seniores ou até economistas-chefes nessas instituições?.

Monica reconhece no entanto que, fora dessas áreas, o mercado pode, numa primeira impressão, enxergar os profissionais com essa formação como sendo menos competitivos. ?Isso porque há uma visão de que quem opta por esses cursos está de olho numa carreira acadêmica, pois as disciplinas desses cursos não focam aspectos práticos?, diz. ?Além disso, as empresas hoje procuram profissionais multidisciplinares. Logo quem busca especializar-se em uma área só pode parecer estar remando contra a
maré?. Nesse sentido, tentar não se desvincular do mercado de trabalho enquanto se dedica à pesquisa exigida pelo curso pode ser importante. É o que frisa o headhunter da Robert Wong Consultoria, Renato Bagnolesi. ?Por mais que a teoria tenha uma carga de importância muito grande. O mercado quer ver o lado prático, de resultados dessa pessoa. Portanto, aliar as duas coisas, por mais que isso demande um grande sacrifício, será vantajoso no final?.
 
MERCADO E ACADEMIA - Mestre em Engenharia de Produção e Doutor em Ciências Nucleares, Francisco Paletta afirma que a vivência prolongada dentro da universidade trouxe benefícios para seu dia-a-dia como executivo. ?Dentro das organizações as coisas acontecem muito rápido e quando se tem a responsabilidade de liderar você perde um pouco a capacidade de ouvir?, explica. ?A universidade te ensina a ouvir e quando você se dá essa direito dentro da empresa, você abre espaço para a que as coisas sejam feitas de forma diferente, o que pode gerar mais resultados?, complementa. Paletta que hoje responde como diretor dos cursos de Engenharia e Computação da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) já foi presidente das operações brasileiras da Novell e da Altiris e também ocupou cargos de gerência e direção na Honeywell, Sun e EDS. 

Não se afastar do mercado de trabalho mesmo enquanto cursava seu mestrado e depois o doutorado foi o que agregou grande diferencial ao seu currículo na visão de Paletta. Segundo ele, poucos são os que conseguem aliar as duas coisas, devido à alta exigência de tempo. ?Por essa razão é que há tão poucos profissionais do mercado cursando mestrado e tão poucos mestres e doutores no mercado de trabalho?. Segundo ele, em países como Canadá, Irlanda, Coréia, ou seja, países que vem num processo acelerado e desenvolvimento, a proporção de mestres e doutores no mercado de trabalho é infinitamente maior que no Brasil. ?Aqui, no lugar de produzir riquezas, esses profissionais altamente qualificados estão dentro das universidades, produzindo apenas conhecimento?.

A consultora de Marketing e mestre em Antropologia, Ana Cláudia Barbieri partilha da mesma opinião que Paletta. Ela crê que um número maior de profissionais do mercado buscando esses cursos, e um número maior de acadêmicos participando do mercado traria um resultado muito positivo para o País. Ela conta que, no seu caso, ter cursado um mestrado valeu bem mas que um MBA. ?Fiquei conhecendo mais profundamente o consumidor, o que é fundamental para mim?, afirma. Assim como Paletta, Ana Cláudia não deixou o trabalho para se dedicar à sua dissertação, o que segundo ela exigiu muito sacrifício, mas que valeu a pena.

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