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Não é possível eliminar, mas dá para administrar o estresse. Saiba como!

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Professor Simon Dolan (Foto: Divulgação / IX Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida)

Professor Simon Dolan (Foto: Divulgação / IX Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida)

Doutorado em Psicologia Organizacional pela Universidade de Minnesota, o doutor e professor Simon Dolan atualmente leciona na Universidade de Montreal, Canadá, onde também dirige o Centro de Estresse Ocupacional e Saúde e o Centro de Controle e Avaliação em Gestão de RH.

Esta semana no Brasil devido ao IX Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida, Dolan compartilhou seus conhecimentos a cerca da saúde no trabalho em uma conferência realizada na terça-feira, dia 5. Para o estudioso, o ato de trabalhar pode se tornar tóxico à medida que não se desenvolve técnicas de administração do estresse. Na opinião do professor esse mal é gerado porque, hoje em dia, o trabalho virou referência para tudo, de modo que as pessoas investem todas expectativas nele. Para esclarecer melhor o assunto, o ZAP Empregos conversou com Dolan e traz nesta entrevista dicas para você não se tornar um profissional estressado.

O que significa dizer que atualmente o trabalho virou referência para tudo?
Quando você vai conhecer ou se apresentar a alguém, qual é o primeiro item mencionado na conversa? A carreira. Nós costumamos nos apresentar dizendo o que fazemos, que cargo ocupamos, quais são nossas funções. Isso acontece pois nossa autoestima faz com que queiramos nos sentir valorizados e, nos dias de hoje, entendemos que todo nosso valor está no trabalho.

No passado os valores eram outros. Uma dona de casa, por exemplo, se orgulhava em dizer que era mãe e cuidava do lar. Já hoje existe certa vergonha em falar que não está no mercado, porque o trabalho se converteu no aspecto mais importante de nossas vidas. É o que nos dá valor. Não digo que isso é bom ou mau, é apenas um fato.

Então passamos por uma mudança dos valores da sociedade?
Sim, eles mudaram completamente. Hoje o trabalho assumiu um papel central, alterando inclusive a configuração e o modo de interação da sociedade. Como o escritório é onde passamos maior parte do tempo, boa parte da nossa vida social se estabelece ali. A grande mobilidade dos profissionais é um dos fatores que contribui com isso, por exemplo. Se a cada hora é transferido para uma cidade ou para um país, o único lugar no qual o funcionário vai estabelecer relacionamentos é no trabalho.

Em que medida o foco no trabalho pode se tornar um problema e gerar estresse?
Estresse é algo que resulta da incapacidade de superar exigências em seu ambiente. De um lado o trabalho pode ser muito estressante, de outro ele pode gerar grande bem-estar. Tudo depende da forma com que a pessoa reage diante de diferentes situações.

Quando há bem-estar chamamos isso de paixão pelo que se faz. Eu mesmo sou um apaixonado pelo meu trabalho, mas a questão é que reservo tempo para outras atividades que também me proporcionam bons momentos. O problema existe quando nosso bem-estar depende única e exclusivamente de um fator, o qual, no caso, seria o trabalho. É preciso ter uma vida equilibrada, por isso considero perigoso depositar toda sua energia em apenas um lugar. Eu acho importante, por exemplo, investir em relacionamentos. É por meio do apoio dos familiares e amigos, aliás, que um profissional consegue lidar melhor com o estresse do trabalho.

É comum associar o estresse à produtividade e competência?
Sim, os executivos são um dos que mais fazem isso. Nessa área costuma-se pensar que com prazos apertados as pessoas são muito mais disciplinadas e cumprem melhor suas obrigações. Isso é verdade, porém a curto prazo. Deadline curto, muita cobrança, aumento de responsabilidades e ritmo agitado pode gerar produtividade por um certo tempo, mas, a longo prazo, as consequências não são positivas e podem levar os profissionais a terem sérios problemas, prejudicando, assim, toda a organização. Isso porque estresse não é sinônimo de competência.

Tem dias que realmente precisamos fazer mais esforço. Tem dias que o volume de trabalho é maior e o tempo menor, porém isso não pode ser uma constância. O problema é o extremo e a consequente transformação de algo que é positivo ? o trabalho ? em algo negativo.

Qual a forma para administrar melhor o estresse, visto que não é possível elimina-lo por completo?
O truque consiste em mudar sua perspectiva e, então, a forma de interpretar as situações do dia a dia. Proponho que as pessoas estejam preparadas para os diferentes tipos de respostas que a vida lhes der. Isso não significa que elas vão assumir uma postura de indiferença ou vão se tornar apáticas, e sim que entenderão que certas coisas não dependem delas.

Nós temos a tendência de querermos resolver tudo por nós mesmos. Sermos super-homens ou super-mulheres e, quando não conseguimos atingir nossos objetivos, simplesmente ficamos frustrados e, ao longo do tempo, estressados. Por isso sugiro uma reestruturação cognitiva, o que consiste em ter um diálogo com você mesmo. Quando diante de determinadas circunstâncias, se prepare mentalmente para receber um retorno negativo ou positivo. Ou seja, a ideia é que você continue dando o seu melhor, mas de forma independente dos resultados.

”Resultado do IBGE revela o pior tipo de desemprego”

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Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret), diz que a queda na taxa de desemprego apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não deve ser comemorada. O indicador recuou para 8,1% em junho, depois de ter atingido 8,8% em maio, porque as pessoas desistiram de procurar emprego. “Esse resultado revela o pior tipo de desemprego: o desemprego oculto pela desesperança de procurar emprego.” A seguir os principais trechos da entrevista.

A taxa de desemprego de junho do IBGE surpreendeu?

Sim. Esse resultado mostra que está havendo uma espécie de estagnação no mercado de trabalho. Ele parou de receber novos entrantes na População Economicamente Ativa (PEA). Veja que coisa engraçada: o número de ocupados cresceu 200 mil em junho ante maio e o número de desempregados diminuiu 200 mil no mesmo período. É por isso que diminuiu o desemprego. Porque ninguém mais chegou para procurar emprego. Essa é a surpresa.

Nesse contexto, a queda da taxa de desemprego não é favorável?

Ela indica o pior tipo de desemprego: o desemprego oculto pelo desalento, pela desesperança de procurar emprego.

A queda deve ser comemorada?

Um copo de água cheio pela metade pode ser visto de duas maneiras. Um jeito de você olhar é: temos 200 mil empregos a mais em relação ao mês passado. Por outro lado, isso é muito pouco.

Por essa análise o sr. não vê alguma melhoria?

Vejo um congelamento. Quando você analisa onde o emprego cresceu, vê que aumentou nos serviços públicos: educação, saúde, serviços sociais e administração pública.

O emprego cresceu patrocinado pelo governo?

Aparentemente são as atividades ligadas ao governo. Todas as outras (serviços privados, indústria, etc) estão estáveis em relação ao mês anterior. Não há crescimento novo. O único crescimento novo ocorre nos serviços públicos. O emprego no funcionalismo público e entre os militares cresceu 4% no mês.

Esse resultado faz parte das medidas anticíclicas do governo?

Provavelmente. Não é que isso esteja errado, mas o emprego no setor privado ainda não está dando sinal de melhora. É como eu disse: o copo está meio cheio e meio vazio, parou de diminuir e já é alguma coisa. Mas não retomou e congelou. Há duas maneiras de uma pessoa deixar de ser considerada tecnicamente desempregada: achar um emprego ou desistir de procurá-lo. Pelo jeito, o que está acontecendo em maior escala hoje é a segunda opção.

Qual é a tendência para o emprego?

Não tenho bola de cristal. Imagino que, daqui para frente, haja melhora. O que se pode dizer é que a atividade precisa melhorar em todas as dimensões para depois se refletir no aumento do emprego. A decisão de contratar é sempre tardia. O empresário precisa ter muita certeza para voltar a admitir.

Coach ensina a lidar com situações de conflito

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O coach sul africano Hendre Coetzee é um profissional cuja experiência não se limita apenas ao mundo corporativo. Tendo trabalhado como facilitador na integração entre negros e brancos na África do Sul pós-Apartheid e ainda na mediação de conflitos étnicos na Bósnia, ele afirma que é possível comparar o ambiente de negócios ao cenário bélico. Em entrevista ao ZAP, o coach explica melhor essa ideia, além de falar sobre a crise econômica e a atividade que exerce.

Você diria que o ambiente de negócios e o de guerra são similares?
Claro. São similares no sentido de que em ambos há o desejo de se ter algo diferente do que se tem no momento presente. Ambos estão relacionados a mudanças e a realizações.

Acho que na guerra sempre há pessoas pensando que sabem o que se passa na cabeça dos outros. Elas fazem isso ao invés de reservar um tempo para analisar o real contexto. Esse tipo de comportamento aparece o tempo todo no mundo dos negócios. No geral, boa parte dos profissionais faz suposições em relação a algo e, então, toma decisões baseando-se nessa “intuição”. Em vez de analisar todas as variáveis de uma situação, acaba fazendo escolhas por impulso.

Outra semelhança é que, assim como a guerra, o ambiente de trabalho também pode ser cheio de conflitos. As pessoas lidam com muitos problemas o tempo todo, por isso, o que um coach faz é aprimorar a capacidade de elas agirem sob pressão e se relacionarem com situações adversas.

A postura de fazer suposições e os conflitos no ambiente de negócios ganharam maior intensidade com a crise econômica?
Quando você tem algo como a crise econômica ou uma organização passando por um período difícil é natural as pessoas ficarem na defensiva. No geral, elas avaliam como podem agir de forma segura para se manterem estáveis. O problema é que, quando estão na retaguarda, as pessoas constroem muros ao invés de pensarem em estratégias que criem oportunidades. Eu não estou dizendo que fazer planos de negócios defensivos seja ruim, mas eles devem ser aplicados por um curto período. Em situações econômicas como a que temos hoje, as empresas precisam avaliar como aproveitar as novas oportunidades. São em tempos como esse que companhias que abraçam as oportunidades farão diferença e serão muito importantes daqui a três ou quatro anos.

Neste momento de crise econômica o ideal é nos preocuparmos com o presente ou olharmos mais para o futuro?
Ambos. Quando eu digo que é importante a pessoa não ficar na defensiva não estou dizendo que ela não deva ser assim de forma alguma. A ideia é que você não deve agir sempre e apenas de forma defensiva.

É bom analisar o que está acontecendo no seu contexto para garantir que você não está desperdiçando dinheiro, que você consegue superar o dia de hoje e que os seus negócios podem sobreviver a situação de crise. Fazer tudo isso é importante, mas tão importante quanto é avaliar como você pode ser estratégico em relação ao futuro. Não se pode desviar o olhar do futuro só porque o dia de hoje está difícil, mas, ao mesmo tempo, não se deve apenas fantasiar sobre os dias que virão e deixar de olhar para o presente.

Como você aplicou a técnica de coaching na época em que intermediou os conflitos étnicos na Bósnia?
Como coach, meu trabalho é entender e aprender como as pessoas estão se comportando. Naquele lugar, minha função era basicamente tentar entender o ponto de vista humano, e não me colocar na posição de um juiz que determina “isso está certo” ou “isso está errado”. Meu trabalho era ver o lado pessoal dos cidadãos e não tanto o político, mesmo tendo trabalhado com essa questão.

Em situações como as que vivi na Bósnia, tentei compreender o que a população gostaria de ver futuramente. É interessante notar que quando se está em uma situação hostil as pessoas tomam partido e se colocam na posição de serem adversários de alguém. O meu papel foi tirá-las dessa postura e fazê-las refletir sobre o que gostariam de realizar daqui alguns anos.

A grande mudança é quando, em qualquer tipo de conflito, os cidadãos se tornam mais comprometidos com o futuro do que com o passado. Se você consegue visualizar o futuro, então você é capaz de agir no presente de uma forma diferente. E isso realmente é a essência da atividade de coaching.

Como a experiência nos conflitos se reflete hoje no seu trabalho de coach?
Eu diria que hoje sou mais determinado e que dou maior valor a vida, especialmente a minha, já que fui baleado algumas vezes enquanto estive em meio aos conflitos.

Isso pode parecer um tanto quanto paradoxal, mas a situação na Bósnia, especificamente, produziu esperança em mim, esperança de que as pessoas realmente querem e podem mudar. Trabalhando lá eu descobri a esperança escondida, mas ainda viva, nos cidadãos. Isso me fez e até hoje me faz acreditar que mudar é possível para qualquer um que esteja realmente focado e comprometido com o futuro.

Existe alguma resistência à atividade de coaching? Qual seria?
A resistência ao coaching existe quando as pessoas vêem essa prática como terapia e às vezes isso acontece por uma única razão: ambas as atividades estudam o comportamento humano. A diferença é que o objetivo da terapia é promover a cura e o do coaching é promover o desenvolvimento.

Quando falamos de coaching estamos nos referindo ao conceito de pegar o potencial de alguém e aplicá-lo a uma realidade. Porém isso só é possível se não existir essa resistência que faz alguns profissionais terem uma visão deturpada do nosso trabalho. Às vezes as pessoas pensam que o meu trabalho é dizer que há algo de errado com elas, não entendendo que, na realidade, eu me aproximo por entender que existe uma oportunidade de elas concretizarem seu potencial.

Coaches qualificados criam um ambiente em que a preocupação está em transformar o potencial de alguém em realidade. Por isso, um coach não faz perguntas como “o que você tem de errado?” ou “como eu posso te ajudar?”. Ao invés disso nos lançamos questões como “o que você gostaria de realizar?” ou “o que você acha que é preciso para você alcançar isso?”. Ou seja, um coach cria um ambiente diferente para o autoconhecimento, visando produzir possibilidades, e não cura.

E como o coach leva o profissional a descobrir o que quer?
A maioria das pessoas tem pelo menos alguma ideia do que quer ou do que precisa fazer para alcançar seus objetivos. O que ela não sabe é o que a mantém afastada dos seus alvos. Geralmente essa distância entre a pessoa e suas metas é criada por uma barreira emocional ou intelectual.

O que nós fazemos no coaching é, junto com o cliente, desenvolver de forma muita clara e objetiva estratégias para ele conseguir superar suas barreiras. Para isso, nós trabalhamos com datas. Ou seja, para que o profissional produza e obtenha resultados nós propomos prazos muito específicos, perguntando, por exemplo, o que ele gostaria de realizar nos próximos nove dias.

Além disso, fazemos os seguintes questionamentos: o que você pode fazer de diferente no seu dia a dia com o objetivo de produzir o resultado desejado? Quais comportamentos você está tendo hoje que não estão ajudando a chegar onde pretende? Nós colocamos essas perguntas não na posição de juizes ou no sentido de determinar “isso é certo” ou “isso é errado”, e sim com a finalidade de apontar o que a pessoas está fazendo e está funcionando, e o que ela está fazendo, mas não está funcionando.

Então o coach acaba interferindo na vida pessoal do cliente?
As questões levantadas pelo coach são na maioria das vezes pessoais, no entanto são colocadas sempre que há permissão. Toda a atividade de coaching acontece baseada na permissão que o cliente dá de entrar nos aspectos mais íntimos de sua vida.

Como coaches nós não damos conselhos. Não dizemos para as pessoas “isso é o que eu acho que você deveria fazer”, e sim oferecemos opções para elas escolherem a melhor forma de alcançar seu futuro. Na posição de coach eu ouço os planos do cliente, analiso suas propostas e, juntamente com ele, vejo todas as variáveis dos projetos apresentados, além de pensar em outras maneiras para se atingir o objetivo desse profissional. Nós oferecemos opções para a pessoa e damos suporte às decisões que ela toma.

As idéias de quem está no começo

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Aos 29 anos, o empresário Sylvio Gomide desfruta de uma invejável posição no mundo dos negócios. Além de conduzir duas grandes escolas na cidade de São Paulo em continuidade aos negócios da família, ele trafega pela poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aprendendo na prática lições da elite empresarial brasileira - a indústria paulista responde por 43,8% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Ao presidir o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da entidade, que reúne mais de 600 integrantes com média de 25 anos, ele quer, assim como todos os demais participantes, dotar seu empreendimento de uma nova postura, indo ao encontro do que os grandes nomes dessa indústria já fazem: buscam o lucro, mas atendendo aos preceitos da sustentabilidade.

Quem são os jovens empresários que formam o Comitê?

Esse grupo é formado por vários perfis. Há herdeiros de grandes indústrias, outros que abriram seus próprios negócios, aqueles que trabalhavam em grandes empresas e com o tempo se tornaram sócios. Há também os que ainda são funcionários, mas têm o desejo de empreender. E não estamos resumidos à indústria. Dentro dessa turma de 660 pessoas, há profissionais do comércio e serviços. Todos na faixa de 25 anos.

Há espaço para novos participantes?

Não queremos um grupo de milhares de membros. Queremos crescer de forma sustentável, manter o mesmo nível de quando éramos 50. Mas há sim espaço para outras pessoas. A maioria que se interessa vai atrás de nossos eventos, que hoje também transpõem a barreira do empreendedorismo. Fizemos agora em dezembro um seminário sobre as oportunidades com as novas descobertas do pré-sal. Geralmente participa quem quer pensar no seu negócio em longo prazo procura se informar e, aos poucos, entrar para a agenda de atividades que organizamos.

O que significa para esses jovens empreendedores circular pela Fiesp? Pode-se dizer que isso os torna mais competitivos?

Antes de mais nada, são pessoas que sabem que os resultados não se fazem de um dia para o outro e que o trabalho é algo de médio a longo prazo. São aqueles jovens que vão atrás, fuçam e não esperam somente de governo, nem de qualquer outro agente, a solução para alguns entraves.

Integrar o Comitê significa muito para um jovem, porque ali dentro você se articula com grandes nomes industriais. Mas vantagem não se restringe a isso. Participamos na tomada de decisões importantes que se refletem diretamente na economia. Temos 83 cadeiras permanentes nos departamentos da Fiesp, nos envolvemos diretamente nas questões com que a entidade se preocupa.

Como é na prática?

Com o Paulo (Skaf, presidente da entidade), a federação deixou de ser intocável. Veja essa própria iniciativa de abrir espaço para jovens empresários. Há pessoas em nosso grupo de vinte anos, por exemplo. Na visão dele, muitas coisas que não seriam função da indústria ganharam força. Posso destacar nossa mobilização contra a CPMF, que ajudou a campanha no recolhimento de 1,1 milhão de assinaturas contra o tributo. Fomos em 25 para Brasília conversar com senadores para saber qual motivo os faria voltar a favor da CPMF. E quando vimos, estávamos lá, nos gabinetes fazendo uma espécie de barulho.

O movimento ressuscita uma juventude contestadora, deixando para trás esse estigma de uma geração pouco politizada e anestesiada?

Certamente. Eu, por exemplo, faço parte da terceira geração que administra os negócios da família (escola). Percebo que posso juntar uma boa gestão com novos conceitos que fazem todo sentido para o futuro de todos. É isso que os jovens querem. Quem não conseguiu ainda imprimir esse novo conceito, quer aprender. Nossa intenção com o grupo é despertar esse compromisso entre os mais jovens empreendedores, como evitar o desperdício e conciliar lucros com sustentabilidade.

Entre os participantes, quem pratica esse posicionamento diferenciado?

Há muitos exemplos. O Gustavo Filgueiras, do Hotel Emiliano, se destaca quando falamos na neutralização do carbono. Ou o Lito Rodrigues, da DryWash, que foi atrás de um conceito novo para lavagem de carro a seco. São somente dois dos inúmeros casos de quem já sabe combinar rentabilidade com as novas demandas globais.

Quando falam em nova imagem empresarial, conforme destaca a missão do grupo, a idéia é abolir comportamentos do empresariado mais antigo?

Muitos empresários de antigas gerações perceberam que precisavam mudar. Viram que não têm outra saída a não ser incorporar uma nova visão de negócios. Vejamos o Pão de Açúcar. A empresa hoje faz maratonas, patrocina atletas, incentiva a qualidade de vida e o bem-estar. Para os mais novos, acredito que conceber negócios de olho no que a empresa pode fazer de bom ao consumidor é quase uma obrigação. Ou seja, até os mais antigos já mudaram sua posição. Para nós, a tarefa é emergente.

Como o jovem brasileiro empreende? Tudo isso que o Comitê realiza já é bem assimilado fora das portas da Fiesp ou ainda são discussões concentradas?

Vemos que o jovem ainda empreende por necessidade. Lógico que há histórias de sucesso de empresas nascidas da oportunidade, como é o caso de inúmeros negócios em informática e ambientes virtuais, por exemplo. Mas, aos poucos, o jovem começa a enxergar que há caminhos interessantes fora do padrão conhecido. No Comitê, 30% dos participantes ainda não empreenderam, mas até por isso buscam articular-se com o grupo para desenvolver negócios com reais chances de sucesso. Estão a poucos passos de fazer isso.

Fora de São Paulo, que outras iniciativas podem ser destacadas no engajamento entre os jovens empresários?

O Instituto de Estudos Empresariais (IEE) é um grupo bem diferenciado que vem desempenhando um trabalho importante. E temos a Confederação Nacional dos Jovens Empreendedores (Conaj), que reúne outros grupos. Mas São Paulo, por ser sede de grandes empresas, tem ainda uma força imensa na economia, é ainda quem puxa tudo isso.

Momento é oportuno para rever leis trabalhistas, diz professor

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São Paulo - A crise financeira mundial e seus efeitos para a economia e o emprego do País tornam o momento oportuno para uma revisão na legislação trabalhista brasileira. A avaliação é do professor de Recursos Humanos e relações trabalhistas da FGV, Sérgio Amad. Em entrevista ao estadao.com.br, ele comentou as sugestões do presidente da Vale, Roger Agnelli, para flexibilizar as leis no País, que, em sua opinião, são antigas e ultrapassadas. 

LEIA A ENTREVISTA COM O PROFESSOR:

Em entrevista ao Estado, o presidente da Vale afirmou que sugeriu ao presidente Lula uma flexibilização das leis trabalhistas no País como forma de evitar mais demissões. Isso é viável?
Olha eu acho que é sempre bem-vinda uma análise, uma revisão da nossa legislação trabalhista que há muito vem engessando as relações de capital de trabalho aqui no Brasil. Eu acho viável e o momento é oportuno para fazer essa revisão.

Um dos pontos citados pelo presidente da Vale é a redução da jornada de trabalho com uma redução no salário dos funcionários. Quais seriam os pontos favoráveis e os negativos dessa alteração?
A redução da jornada de trabalho está na pauta não só aqui mas na maioria dos países avançados. Ela é favorável quando é bem colocada, quando é bem elaborada. Não adianta só reduzir a jornada. A redução é viável, favorável ao desenvolvimento de um país, de uma economia, de uma empresa, quando ela é feita não de maneira imposta mas de forma negocial, entre empresas, empregados, entre setores empresariais e algumas categorias. Ou seja, a sociedade firma uma lei em que estabelece um teto máximo de jornada de trabalho, e a partir daí setores vão dizer “Olha no meu setor é possível reduzir”, outros vão dizer que não. Então é uma situação negocial, e não imposta por lei. Se ela for assim, é muito bem-vinda.

Agora, uma redução de jornada, quando não implica em redução de salário, e sendo imposta, é muito perigosa, porque torna totalmente inviável a competitividade de uma empresa, principalmente no cenário globalizado. Agora, a redução proposta pelo presidente da Vale, que implica em redução de salário tem uma lógica: você reduz a carga e o salário e a empresa se mantém competitiva, criando novos empregos.

Mas por outro lado, se essa redução vier imposta, ela também é perigosa. Ela tem que passar por uma negociação entre empresas e sindicatos, para chegar a um acordo. Porque os setores variam de um para outro, com necessidades de mais ou menos horas de trabalho.

O presidente da Vale citou apenas alguns pontos para flexibilizar as leis trabalhistas. Você tem outras idéias para evitar novas demissões?
O que eu tenho sim a dizer é que o momento é oportuno para que façamos uma revisão geral nas leis trabalhistas do nosso País, não só uma revisão pontual, para caminharmos para uma flexibilização mais completa da nossa legislação. Isso já é uma demanda da nossa sociedade há vários anos. É que quando o Brasil começou a crescer, nós esquecemos dessa necessidade.

E agora a gente vê uma crise surgindo e começa a repensar essa questão. E ela devia, sim, ser pensada agora, para podermos voltar a crescer neste País.

Como o governo pode evitar que as empresas brasileiras tenham que demitir mais gente sem mexer nas leis trabalhistas agora?
Acho que o governo já começou a tomar medidas nesse sentido, como reduções de alguns impostos ligados a montadoras. Essas ações tentam reaquecer esse setor, que está sendo castigado pela crise. O governo começou a pensar também em questões de impostos para a classe média, mexeu nisso, e essa ação é, de certa maneira, uma forma de estimular o consumo dessa classe tão importante na nossa sociedade, principalmente no que diz respeito a esse assunto.

Agora fora isso, eu insisto, a gente deve pensar numa questão mais estrutural, que é a reforma da nossa legislação trabalhista. Ela é muito antiga, é ultrapassada, engessada. Então agora é o momento da gente partir para isso também.




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