Entrevistas, dinâmicas de grupo. Para muitos candidatos a emprego e estágio, essas são as piores etapas de um processo de seleção. Profissionais bem preparados chegam a perder oportunidades por não saber como lidar com esses momentos. Insegurança, ansiedade e nervosismo são alguns dos sentimentos que podem pôr tudo a perder na disputa por uma vaga. Mas já existem técnicas para atravessar essa situação com tranqüilidade e até mesmo se destacar entre os concorrentes.
? Muitos candidatos estão buscando orientação porque o processo de recolocação no mercado está se profissionalizando ? conta Cláudio Moraes, diretor da D””Moraes Assessoria em Recursos Humanos.
Empresas avaliam nível de estresse do candidato
O volume de entrevistas aumentou muito nos últimos anos. A consultoria de Moraes encaminha uma média mensal de 200 candidatos para entrevistas. Em 2005, quando começou, eram 60 por mês.
Segundo Moraes, as empresas costumam fazer ?pegadinhas? em dinâmicas para testar o nível de atenção, estresse e entusiasmo do candidato. Ou para verificar se ele é uma pessoa mais introspectiva.
? É importante saber como agir em cada situação, mas sempre de forma natural, para não parecer um manipulador de entrevistas ? orienta o consultor.
Algumas perguntas, diz Moraes, são mais freqüentes e fáceis de serem respondidas, seguindo lembretes básicos. Questões sobre atualidades são cada vez mais comuns. Por isso, é preciso estar antenado. Mostrar conhecimento sobre a empresa em certas respostas também pode ser um ponto positivo num processo seletivo.
Mas como controlar o nervosismo e a ansiedade? Segundo a psicóloga Márcia Dolores, diretora do Instituto Saber, de São Paulo, muitas pessoas não avançam na carreira com medo de participar de um processo de seleção. Mas também existem técnicas para superar isso, destaca ela, especialista em neurolingüística.
? O nosso cérebro se alimenta de idéias e experiências pregressas. Se você passou por um certo desconforto durante uma entrevista, no futuro sentirá o mesmo em situação semelhante. Quem sofre por antecipação, vai ter ansiedade. É automático. Por isso, é tão importante se preparar. E podemos usar o mesmo caminho para ter segurança e confiança. Uma boa forma de treinar é imaginar que vamos nos sair bem, focando no que queremos que aconteça. A gente gasta muita energia pensando em catástrofes.
A professora Tania Castelliano, especialista em oratória, diz que saber se expressar bem também é importante:
? A maior dificuldade é o medo de falar em público. E, tão difícil quanto falar, é saber ouvir. Numa prova oral, mais do que o conteúdo, avalia-se o controle emocional do profissional. Quando a pessoa demonstra segurança, alguns erros passam despercebidos ? diz Tânia, que prepara candidatos para provas da magistratura e do Ministério Público.