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Micro e pequenas lideram as falências

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Das 89 companhias que tiveram a falência decretada em setembro no país, 86 (ou 96,62%) estavam no segmento de micro e pequenas empresas. Os números são de levantamento mensal da Serasa Experian, divulgado ontem. Além das dificuldades de acesso ao crédito, erros no planejamento e na gestão do negócio são as principais razões para o problema.

Reinaldo Messias, consultor do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa em São Paulo (Sebrae-SP), afirma que parte das falências de micro e pequenas empresas ocorre por erros de gerência ou de planejamento.

Segundo Messias, muita gente chega ao mercado sem dominar a atividade que irá desenvolver ou dominando apenas o aspecto operacional. ?Existe grande diferença entre saber fazer pão e gerenciar uma padaria?, diz.

Para quem está com dificuldades, Messias recomenda um rígido controle da produção em relação ao que é vendido. ?O ideal é que os números das vendas e do que há em estoque estejam próximos?, ensina.

Outro ponto observado pelo consultor do Sebrae-SP é o treinamento dos funcionários para que estejam preparados para executar as tarefas necessárias e com qualidade. ?Só camaradagem não funciona. É preciso fazer o melhor?, observa.

Dariane Castanheira, professora do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento da Fundação Instituto de Administração(Proced-Fia), afirma que o empreendedor precisa estar permanentemente atento às necessidades do mercado e ao grau de vulnerabilidade de seu produto em relação aos altos e baixos da economia mundial.

Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, empresa de análise de crédito, explica que na crise as micro e pequenas empresas foram as primeiras a ver o crédito secar e mesmo após a normalização do mercado, as dificuldades ainda persistem, pelas exigências de garantias dos bancos.

Ele acredita que a chegada dos fundos garantidores, como os gerenciados pelo Banco do Brasil e pela Nossa Caixa Desenvolvimento, capitaneado pelo governo do Estado, que servem como garantia a operações das micro e pequenas empresas, devem dar um alívio ao segmento.

Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), acredita que a maior presença dos pequenos empreendimentos entre as empresas que tiveram a falência decretada reflete a proporção que este tipo de negócio representa no mercado. ?As micro e pequenas empresas são cerca de 97% dos empreendimentos formais no país?, observa.

FATURAMENTO - O Sebrae-SP divulgou ontem os indicadores das micro e pequenas empresas com dados de agosto. O faturamento real médio das micro e pequenas empresas paulistas cresceu 6,2% em relação a julho e ficou em R$ 17.088,52. Apesar da alta, o valor é 1,3% menor que o registrado em agosto de 2008. Por conta do dia dos pais, o comércio apresentou elevação de 11,3% no faturamento em relação ao total registrado em julho.

Abrir está mais fácil, fechar nem tanto

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Quem der entrada hoje na papelada para abertura de uma empresa deve concluir o processo até o final do mês. De acordo com o Serviço de Apoio ao Empreendedor (Sebrae), o prazo médio para abrir um negócio no Brasil é de 20 dias - em São Paulo, o procedimento leva cerca de duas semanas.

A situação já foi pior: há dois anos, o tempo médio era de 152 dias no Brasil. Mas mesmo tendo avançado, o país ainda fica para trás quando comparado com outras regiões. Nos Estados Unidos, por exemplo, o procedimento dura apenas um dia. ?Ficamos mais ágeis, mas o processo ainda continua muito complexo por aqui?, ressalta Lázaro Rosa da Silva, advogado do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco).

A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que entrou em vigor em 2006, foi um dos fatores que ajudaram a encurtar o prazo, por ter simplificado um pouco as exigências dos órgãos envolvidos (como Receita Federal, governos e prefeituras). ?Mesmo assim, analisar todas as regras tributárias e levantar as exigências legais a serem cumpridas é um trabalho que exige conhecimento prévio. Um leigo dificilmente conseguirá fazer isso sozinho, vai precisar contratar um contador?, declara Silva.

O trabalho de um profissional de contabilidade costuma custar entre R$ 500 e R$ 1.000 para abertura de empresa, estima o Cenofisco. ?E o gasto pode ficar ainda maior no caso de auxílio a fechamento de empresas?, diz Silva.

O fechamento de empresas no Brasil é tão complexo quanto o de abertura - e pode ser ainda mais lento. Não há um prazo médio. Mas no caso do vendedor Marcos Artur Martins, de 47 anos, essa tarefa já dura mais de dez anos. Para trabalhar como autônomo, ele abriu em 1994 uma representação comercial e passou a prestar serviços para uma outra empresa.

Ao notar que os impostos comiam boa parte de seus rendimentos, Martins preferiu voltar à vida de assalariado. Desativou a empresa em 1998, mas não conseguiu encerrá-la. ?Fui descobrir tempos depois que devia alguns impostos e que, por terem acumulado, eles haviam chegado a uma valor muito maior?, conta.

?O problema é que, como a empresa estava desativada, eu já não tinha mais rendimentos para quitar o débito. Tive que parcelar o pagamento dos impostos e ainda vou precisar contratar um contador e gastar mais ainda para fechar de vez as portas?, lamenta.

Julio Durante, consultor do Sebrae-SP, explica que o fechamento da empresa costuma ser ainda mais moroso porque cada órgão precisa realizar um levantamento de todas pendências do negócio antes de autorizar o encerramento. ?Além disso, quem está fechando as portas geralmente está sem receita nenhuma. Fica portanto mais difícil arcar com os custos originados da burocracia?, lembra Durante.

Para o consultor, esses problemas só reforçam a necessidade de planejamento antes da abertura de uma empresa. ?É preciso muita pesquisa, muito estudo e uma análise sobre a viabilidade do negócio, para que o candidato a empresário não perca dinheiro e tempo numa tentativa frustrada.?

Essa série de obstáculos acaba por desestimular os empreendedores, avalia o economista Tharcisio Souza Santos, diretor do MBA da Faap. ?Eles desistem de abrir um negócio. E isso representa um prejuízo enorme à economia, porque atrapalha a geração de empregos, engole as ideias inovadoras e ainda acaba por levar muita gente à informalidade?, resume.

Para o presidente da Junta Comercial de São Paulo, Valdir Variolli, ?a diversidade de registros e inscrições para abertura e fechamento de empresas é o nó que temos que desatar?. Ele lembra que a Lei 111.598 já regulamenta a questão - sancionada em dezembro de 2007, ela criou a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. De acordo com o texto, os órgãos envolvidos na abertura de uma empresa deveriam ter um processo simplificado e totalmente integrado, evitando que o candidato a empresário tivesse de percorrer várias instâncias. Porém, tirar a lei do papel tem se mostrado uma dificuldade. ?Para implantarmos isso, todas as legislações municipais, que são muito variadas, têm que ser contempladas?, justifica Variolli. ?É um processo complexo, mas estamos caminhando.?




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