A exploração do petróleo do pré-sal vai movimentar a economia de São Paulo. Além dos empregos diretos e indiretos que serão criados com a exploração do petróleo no litoral, a arrecadação de impostos do Estado vai crescer e possibilitar mais investimentos em educação, saúde e infraestrutura.
Todo o benefício dessas novas descobertas, no entanto, vai ser gradativo. O primeiro reflexo na economia do Estado vai ser na criação de empregos. De acordo com a Petrobrás, o petróleo do pré-sal vai gerar 19,7 mil empregos diretos nos próximos quatro anos, considerando não só a operação dos campos, mas também a construção da infraestrutura. Serão 5,1 mil engenheiros, 2 mil trabalhadores da construção civil, 11 mil empregos na construção e montagem e 1,6 mil na manutenção e operação das plataformas.
Em Santos esse processo está em curso. A cidade vai abrigar a sede administrativa da Petrobrás, que está em construção. A partir de 2013, as três torres vão receber 6 mil funcionários da empresa.
O apoio marítimo e as atividades administrativas ligadas à exploração do petróleo devem resultar na criação de outros 50 mil empregos no litoral até 2018, de acordo com a Comissão Especial de Petróleo e Gás (Cespeg), órgão da Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo. ?É uma estimativa conservadora, porque não considera a instalação de novas indústrias?, diz o José Roberto dos Santos, secretário executivo da Cespeg.
Em todo o Brasil, a estimativa da Federação Única dos Petroleiros (FUP) é que seja criado um milhão de empregos no setor de produção, exploração e refino de petróleo nos próximos dez anos. ?Não estou incluindo a parte de atividades que giram em torno da indústria do petróleo?, diz João Antonio de Moraes, coordenador da entidade.
O retorno do petróleo em termos da arrecadação será a partir de 2015, quando deve começar a produção comercial no Estado. ?Temos que considerar que a produção só ocorre depois de cinco a sete anos da concessão, por causa da prospecção e dos testes necessários?, diz Santos. Ele explica que durante os primeiros períodos de testes não são cobrados royalties nem participação especial dos produtores.
No ano passado, São Paulo recebeu R$ 4 milhões com os recursos de royalties e participações especiais, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME). Esse volume ainda é minúsculo se comparado aos R$ 3,3 bilhões que são distribuídos aos outros Estados.
Em São Paulo, os recursos do petróleo são destinados ao Fundo de Expansão da Agropecuária e da Pesca (Feap), que presta assistência a pequenos produtores. ?O governo já estuda dar um novo destino para esses recursos, que devem crescer após a exploração do pré-sal?, diz Santos.
Os Estados recebem atualmente 40% do total arrecadado com a exploração do petróleo. O governo federal recebe outros 40% e os municípios recebem 20%, de acordo como MME.
Esse modelo deve mudar se o novo marco regulatório do setor for aprovado no Congresso. A proposta, do governo federal, pretende instituir um modelo de partilha da produção, em que parte do petróleo extraído, passa a ser do governo federal. O novo marco também prevê a criação de um Fundo Social que pode investir os recursos gerados pelo petróleo em projetos de infraestrutura. A nova regra vai valer para os blocos do pré-sal que ainda não foram concedidos para a exploração. A participação dos Estados e municípios produtores será menor que no modelo atual.
Além de afetar a arrecadação, as reservas de petróleo devem transformar o Brasil num exportador de óleo e combustíveis. As 11 plataformas do pré-sal que devem entrar em produção até 2018 podem praticamente duplicar a produção diária do país. Atualmente o Brasil produz 2 milhões de barris de petróleo por dia. A maior parte dessa produção é de um petróleo pesado, com menor preço no mercado internacional. As plataformas do pré-sal devem acrescentar 1,8 milhão de barris por dia à essa produção com óleo leve de melhor qualidade.
Para se ter uma ideia do tamanho das descobertas do pré-sal, apenas os campos que tiveram suas reservas estimadas pela Petrobrás já têm o potencial de dobrar as reservas de petróleo do país, de 12,6 bilhões de barris de petróleo. A reserva dos campos de Tupi, Iara e Parque das Baleias, é estimada em 9,5 bilhões e 14 bilhões de barris de petróleo.
A abundância de petróleo não deve se reverter em menor preço de combustíveis para o consumidor, na opinião do sócio-diretor da Gás Energy, Marco Tavares. ?O petróleo do pré-sal tem um alto custo de produção e precisa ter seu valor recuperado, de acordo com o preço internacional.?
TECNOLOGIA - Atualmente a produção do petróleo do pré-sal está parada. Em julho, a Petrobrás suspendeu o teste de longa duração no poço de Tupi, depois de encontrar problemas em parafusos para fixar um equipamento submarino. De acordo com o engenheiro do petróleo e diretor do Sindicato dos Petroleiros do Litoral, Anderson Mancuso, a tecnologia para a produção do petróleo do pré-sal está 90% consolidada. Ele diz que o maior desafio é o logístico.?Os helicópteros não têm autonomia para chegar às plataformas que estão a 300 km do continente.?
SAIBA MAIS:
PRÉ-SAL - Camada que fica a 7 mil metros abaixo do nível do mar. As áreas que possuem petróleo estão a 250 quilômetros do continente, em média, e estendem-se do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina.
ROYALTY - Porcentual cobrado pelo governo para conceder o direito de exploração. No caso do petróleo corresponde a 10% do valor da produção comercializada.
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL - Porcentual adicional cobrado pelo governo para os poços com baixo risco e alta produtividade, como aqueles do pré-sal. Corresponde a 40% do total comercializado.
PARTILHA DA PRODUÇÃO - Sistema proposto pelo governo federal, em que a empresa exploradora paga ao governo com parte do petróleo que produzir.