Preocupado em evitar um desgaste político às vésperas das eleições de 2010, o governo Lula iniciou há 15 dias negociação nos bastidores com centrais sindicais e parlamentares da base aliada para enterrar a votação de projetos que reajustam benefícios previdenciários, elevando o déficit da Previdência. Em troca, o Executivo concederia, no ano que vem, reajuste real (acima da inflação) para os aposentados do INSS que ganham mais que um salário mínimo.
A ideia é barrar três projetos que elevam despesas públicas: o que extingue o fator previdenciário (mecanismo que reduz o valor inicial das aposentadorias); o que vincula o reajuste de todos os benefícios previdenciários à política de aumento real do mínimo; e o que corrige o valor de aposentadorias, recuperando a sua equivalência em números de salários mínimos no momento em que foram concedidas.
O ministro da Previdência, José Pimentel, desconversou ontem quando questionado sobre as negociações. Mas admitiu que o aumento real dos benefícios acima do piso é tema de negociações no Congresso.